Marcelo Rebelo de Sousa: “Houve erro de cálculo no momento da segunda vaga”

O Presidente da República reconhece o cansaço e fadiga dos portugueses quanto à adesão das medidas de confinamento geral, mas apela para que sejam cumpridas: “Se não aderem, o custo é maior na vida do dia a dia e na duração do estado de emergência e do confinamento”.

Cristina Bernardo

O presidente da Republica alertou para a subida de número de casos diários de Covid-19 ao longo desta semana, frisando que “a partir de amanhã” o país poderá assistir a um “aumento de internamentos em enfermaria e unidades de cuidados intensivos” embora o Serviço Nacional de Saúde (SNS) já esteja a usar “a capacidade disponível, mas cada vez mais estreita” para fazer frente ao combate à pandemia. Isto já “incluído o social, privado e hospitais militares”.

Aos jornalistas, à porta do Hospital da Azambuja, Marcelo Rebelo de Sousa considerou, esta segunda-feira, que “contar isto é importante para [os portugueses] terem noção, porque a pressão [sobre o SNS] pode prejudicar os doentes Covid e não Covid” e por isso relembra que “a eficácia das medidas depende muito dos próprios”, fazendo referência à fraca adesão das medidas de confinamento geral, assistida este fim de semana.

“Os próprios têm que aderir à importância de cumprirem as medidas. Se não aderem o custo é maior na vida do dia a dia e na duração do estado de emergência e do confinamento”, esclareceu.

O chefe de Estado argumenta que tanto o Executivo, como o próprio acreditaram “muito na confiança dos portugueses” quando se optou por aligeirar as medidas restritivas no Natal, mas reconhece a necessidade de estas serem reforçadas. “No fim do ano havia regras restritivas e infelizmente não foram acatadas”, continuou.

Questionado sobre se o Governo previu atempadamente a chegada da segunda vaga, Marcelo Rebelo de Sousa reconhece que não, assumindo “a máxima responsabilidade”, e admite que “foi um erro de cálculo o momento da segunda vaga”.

“Ao fim de onze meses, as pessoas já perceberam tudo, estão cansadas, estão esgotadas”, disse. Para Marcelo, ou as pessoas aderem ao confinamento ou não aderem. “Não há poder político que se possa substituir às pessoas por muito persuasivo que seja, por dramatizador que seja. Em democracia quem mais ordena são as pessoas.”

Sobre o confinamento deste ano, quando comparado ao primeiro, Marcelo descarta as criticas de existirem muitas excepções, relembrando que esse período “correspondeu a uma altura em que grande parte da atividade económica parou. Por causa do fecho das fronteiras pararam as importações e exportações. A indústria mais pesada parou. O confinamento foi muito maior porque as pessoas deixaram de trabalhar em muitas dessas atividades” que pararam, explicou, relembrando que o mesmo não se passa agora.

“Sabia-se que o confinamento ia ser muito diferente do confinamento de março. As medidas estão a ser ajustadas”, informou, acrescentando que o primeiro-ministro António Costa, que se encontra atualmente em Conselho de Ministros, vai anunciar novas medidas estas tarde. m

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