Marcelo sobre renovação do Estado de Emergência: “É preciso criar confiança sem passos precipitados e contraproducentes”

O chefe de Estado apontou três razões para a renovação dessa ordem de exceção e sublinhou que os próximos quinze dias são cruciais para que maio seja a “ponte entre o dever e a esperança”. Marcelo Rebelo de Sousa diz ainda que esta renovação vai permitir dar “tempo e espaço” ao Governo para definir critérios de reabertura da sociedade e economia.

Miguel Figueiredo Lopes/Presidência da República handout via Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta quinta-feira que é essencial criar segurança e confiança nos portugueses “sem se correr o risco de passos precipitados e contraproducentes”. O chefe de Estado considera essencial reduzir o número de internados, garantir a proteção em lares e sublinhou que os próximos quinze dias são cruciais para que maio seja a “ponte entre o dever e a esperança”.

Num discurso ao país, o chefe de Estado apontou três razões para a renovação do Estado de Emergência. “Primeiro, a nossa tarefa nos lares não desperdiçou um minuto, mas precisa de mais tempo. Detetar, despistar, isolar, preservar é importante para que quem lá está e lá vive, mas é também importante para quem está cá fora, pertencendo ou não aos grupos de risco. Consolidar essa tarefa, em clima de contenção, ainda é imperativo”, disse.

Marcelo Rebelo de Sousa apontou como segunda razão o facto de ser necessário “estabilizar o número diário de internamentos gerais e internamentos nos cuidados intensivos”, apesar de Portugal ser “o quarto país da Europa que mais testa por habitante”. Isto para “assegurar que o nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) estará em condições para responder à evolução do surto em caso de aumento progressivo dos contactos sociais”.

“Uma coisa é conviver com o vírus em atividade precavidamente aberta sabendo que a situação está controlada e que existe um sistema de vigilância e proteção e regras de comportamento já adquiridas. Outra bem diferente é provocar recuos e recaídos já experimentados em sociedades que conhecemos”, referiu.

Por último, o Presidente da República sublinhou que é preciso “criar segurança e confiança” nos portugueses para que “possam sair de casa” e “irem reatando paulatinamente a sua vida”, mas “sem se correr o risco de passos precipitados ou contraproducentes”.

Mas “será que maio poderá suscitar às expectativas suscitadas?”, questionou. “Conhecem a resposta. Tudo dependerá do que conseguirmos alcançar até ao fim de abril. Isso será medido dentro de duas semanas e do bom senso com que gerirmos uma abertura sedutora mas complexa”, disse.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, a expectativa é que se “conjugue de um lado a compreensão do dever a cumprir e do outro muita esperança”. “Maio tem de ser a ponte entre o dever e a esperança”, sublinhou.

“A presente renovação do Estado de Emergência está pensada de tal modo que dá tempo e espaço ao Governo para definir critérios, isto é, para estudar e preparar para depois do fim de abril ter lugar a abertura gradual da sociedade e da economia, atendendo ao tempo, modo, territórios, áreas e setores”, acrescentou o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa deixou ainda uma palavra aos mais idosos para que “não tenham receio” e sublinhou: “Ninguém minimiza a vossa entrega de várias décadas, tal como ninguém vos quer encerrar num gueto, dividindo os portugueses entre aqueles que resistem e são imprescindíveis e os frágeis que são descartáveis. Cuidar de vos é diferente de vos menorizar”, salientou.

O chefe de Estado disse ainda que admira a capacidade dos mais jovens de “reagir ao maior e, para muitos, o mais incompreensível choque da sua vida”. Disse ainda que será “o primeiro a testemunhar” como foi essencial o papel dos autarcas no combate à pandemia.

Ler mais
Relacionadas

Deputados aprovam terceira declaração do Estado de Emergência com mais votos contra

Terceiro decreto presidencial de declaração do Estado de Emergência voltou a ter consenso alargado entre os diversos grupos parlamentares, mas aumentaram os votos contra e as críticas. Mesmo o Bloco de Esquerda avisou não estar disponível para nova renovação após 2 de maio.

Renovação do Estado de Emergência prevê reabertura “gradual, faseada ou alternada” de empresas e lojas

Ficam previstos “critérios diferenciados”, tendo em conta número de trabalhadores, setores de atividade e localização geográfica, para reabrir serviços, empresas e estabelecimentos comerciais no período que irá de 18 de abril até 2 de maio.

Novo decreto de Estado de Emergência abre caminho a confinamento só para certas regiões e grupos etários

Novo decreto de declaração do Estado de Emergência será votado nesta quinta-feira na Assembleia da República e deve vigorar a partir de amanhã e até 2 de maio.
Recomendadas

OE2021: Aprovada proposta para pagamento em prestações de IVA e IRC até 15 mil euros

A medida aplica-se apenas a tributos cujo valor no momento do requerimento e a pagar em prestações seja inferior a 15.000 euros.

Criadores portugueses de moda abrem loja temporária em Guimarães até 19 de dezembro

Vinte e cinco ‘designers’ da moda portuguesa enviaram recentemente um manifesto, designado por “Uma Voz”, ao Presidente da República e ao primeiro-ministro a pedir estatuto profissional e a vontade de criar uma Ordem dos Designers.

Covid-19: França com aumento de novos casos após 16.282 infetados nas últimas 24 horas

Apesar destes dados, o número de pessoas internadas está agora abaixo das 30 mil pela primeira vez desde 08 de novembro, sendo que 4.136 destas estão nos cuidados intensivos.
Comentários