Mariana Mortágua acusa André Ventura de conflito de interesses

Em causa estão os diferentes cargos acumulados pelo líder do Chega, nomeadamente o de consultor na Finpartner SA, empresa dedicada à contabilidade, fiscalidade e consultoria.

André Ventura foi acusado pela deputada do Bloco de Esquerda de ter um conflito de interesses quando o tema são os impostos. A afirmação de Mariana Mortágua foi feita durante a reunião plenária, quando se discutia a alteração do código do IRC e a elisão fiscal.

“Ser consultor não faz ninguém diminuído em relação àquilo que se passa na situação fiscal portuguesa” respondeu o líder do Chega depois de Mariana Mortágua ter recordado que André Ventura defendia a obrigatoriedade da exclusividade no exercício do mandato de deputado.

“O senhor deputado prometeu, quando se candidatou, que exerceria as suas funções em exclusividade – coisa que não faz – e não faz em exclusividade trabalhando para uma empresa que faz consultoria fiscal. O senhor deputado, que vem aqui hoje falar sobre planeamento fiscal e combate ao planeamento fiscal, presta serviços remunerados enquanto é deputado a uma empresa cujo trabalho é permitir que empresas fujam ao fisco e paguem menos impostos”, afirmou a deputada do Bloco de Esquerda, segundo a rádio TSF.

Actualmente André Ventura acumula o cargo de deputado com o de consultor na Finpartner S.A, empresa dedicada à contabilidade, fiscalidade e consultoria.

A obrigatoriedade da exclusividade no exercício do mandato consta no Manifesto Político do partido, intitulado de “70 Medidas para Reerguer Portugal”, no entanto não existe qualquer medida que defenda esta posição no programa que o Chega apresentou nas Legislativas de 2019. Ainda assim, André Ventura assumiu defender a exclusividade no exercício do mandato numa entrevista à Kuriakos TV, a três dias das eleições de 2019.

André Ventura acumula o salário de deputado da Assembleia da República com os vencimentos que recebe da Finpartner e da Cofina, onde é comentador.

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