Mariana Mortágua sobre a saída de Centeno: “Importante são as medidas que vamos negociar no suplementar”

A deputada do Bloco de Esquerda disse ainda que a eventual nomeação do ex-Ministro das Finanças para Governador do Banco de Portugal “é uma matéria complexa e demasiado séria para ser centralizada apenas numa figura”.

Cristina Bernardo

Mariana Mortágua recusou fazer comentários sobre a saída de Mário Centeno do Governo. Para a deputada do Bloco de Esquerda (BE), “o importante não são os nomes, o importante são as medidas que vamos negociar e votar no Orçamento Suplementar”.

“Queremos continuar as negociações que já tivemos e que elas incidam sobre as prioridades que temos tido: o reforço do Serviço Nacional de Saúde, o rendimento de todas as pessoas, quer dos trabalhadores, quer dos trabalhadores independentes e informais que ainda não conseguem ter um apoio que lhes permita viver a vida com dignidade”, referiu Mariana Mortágua.

Em relação à demissão de Mário Centeno e a escolha de João Leão para o cargo de Ministro das Finanças, Mariana Mortágua foi peremptória. “Não sou comentadora política. Não estou aqui para comentar o passado de Mário Centeno, nem para fazer considerações sobre a escolha do Governo”.

Já sobre a eventual nomeação de Centeno para o cargo de Governador do Banco de Portugal, a deputada do BE” frisou que” é uma matéria complexa e demasiado séria para ser centralizada apenas numa figura”, realçando que “a grande preocupação deve ser a proteção do Banco de Portugal dos interesses dos banqueiros e o Banco de Portugal é uma instituição que está infiltrada por banqueiros. Esse tem sido o problema até hoje da instituição que é suposto regular o sistema financeiro”.

Para Mariana Mortágua, “a independência do poder público não se coloca nos mesmos termos do poder privado, porque em teoria, o Governo, o poder público e o Banco de Portugal deviam ter os mesmos objetivos e interesses e não um conflito de interesses”.

A deputada referiu que na base desses objetivos devem estar “o interesse em proteger o país, a estabilidade financeira e da economia”, acrescentando que o BE não vai aceitar que “se trate governantes e banqueiros da mesma forma no seu acesso às entidades reguladoras e achamos até que o Banco de Portugal tem que se submeter mais às regras democráticas e não ter o estatuto de exceção”.

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