Mário Ferreira já assinou memorando de entendimento com a Prisa para comprar TVI

Recorde-se que, como noticiou hoje em primeira mão o Jornal Económico, Mário Ferreira entregou à Prisa uma proposta de compra da Media Capital, antes do consórcio liderado pelo grupo Bel (acionista do Jornal Económico), segundo várias fontes ligadas ao processo.

O empresário Mário Ferreira já assinou com a Prisa um memorando de entendimento para negociar a compra da TVI, avançou hoje o Jornal de Negócios na sua edição ‘online’.

Recorde-se que, como noticiou hoje em primeira mão o Jornal Económico, Mário Ferreira entregou à Prisa uma proposta de compra da Media Capital, antes do consórcio liderado pelo grupo Bel (acionista do Jornal Económico), segundo várias fontes ligadas ao processo.

O patrão da Douro Azul é o único interessado que já se encontra em conversações com a Prisa para comprar a dona da TVI e também o que estará melhor posicionado, adiantaram.

“Há de facto conversas”, disse uma das fontes ouvidas pelo Jornal Económico, que pediu para não ser identificada. Outra fonte conhecedora da operação referiu que o consórcio liderado por Mário Ferreira integra também um grupo familiar do norte do país e conta com o apoio de um sindicato bancário que inclui o galego A Banca, entre outras instituições. O Governo já foi informado deste interesse e as conversações com a Prisa estarão a ter lugar diretamente com o CEO do grupo espanhol, Manuel Mirat.

Ao que o Jornal Económico (JE) apurou, os valores das propostas de Mário Ferreira e do grupo Bel estarão abaixo dos 205 milhões de euros que estavam em cima da mesa na recente oferta da Cofina, que foi retirada em meados de março. Esta desvalorização explica-se em grande medida com os efeitos económicos da pandemia do novo coronavirus, que em poucas semanas levou a uma quebra no investimento publicitário na ordem dos 50%, o que tem reflexos negativos na avaliação da Media Capital e das outras empresas do setor da comunicação social.

Questionado pelo Jornal Económico sobre a proposta de compra da TVI e a composição do consórcio que lidera, Mário Ferreira recusou prestar esclarecimentos.

“Não comentamos a situação da TVI”, disse o empresário numa resposta enviada por escrito. Também a Prisa, igualmente questionada, recusou fazer comentários sobre a venda da sua operação em Portugal, que inclui a estação de televisão TVI, a produtora Plural e a rádio Comercial, entre outros ativos.

“São assuntos que dizem respeito ao acionista, pelo que não cabe à Media Capital fazer qualquer comentário”, começou por dizer fonte oficial da Media Capital, acrescentando que, por essa razão, teve o cuidado de contactar a Prisa. O grupo espanhol “não tem comentários a fazer sobre esta matéria”, concluiu a referida porta-voz.

O interesse de Mário Ferreira nos media e na TVI em particular não é de agora. O dono da Douro Azul é um dos acionistas do jornal “Eco” e aliou-se à Cofina para comprar a Media Capital, na mais recente tentativa de venda da empresa. Quando a Cofina desistiu do processo, há seis semanas, Mário Ferreira não escondeu o seu desapontamento, bem como o interesse na TVI. “Foi para mim uma grande surpresa”, disse na altura ao JE.

Grupo Bel está na corrida
O grupo Bel, acionista do Jornal Económico, admitiu esta quarta-feira, 22 de abril, que transmitiu à Prisa uma manifestação de interesse na compra da Media Capital no início do mês, confirmando assim uma notícia avançada pela edição online do “Público”.

Questionada pela Lusa, a diretora de comunicação do grupo liderado por Marco Galinha respondeu: “Está confirmado”.

“Não era desconhecido de ninguém que havia um interesse do grupo Bel, nomeadamente do CEO [presidente executivo] do grupo, na aquisição da TVI, do grupo Media Capital”, prosseguiu Helena Gouveia.

“Há um consórcio envolvido para compra da Media Capital”, acrescentou, sem revelar o nome das outras entidades envolvidas, as quais, a seu tempo, serão conhecidas.

Nota da Direção: A venda de um grupo de comunicação social com a dimensão da Media Capital e a sua importância para a democracia é um tema que não podemos deixar de acompanhar, apesar de um dos interessados nessa empresa ser um dos principais acionistas do nosso jornal. O JE não tem interesses próprios em jogo nesta operação, mas o facto de um dos nossos acionistas estar envolvido pode constituir um conflito de interesses, cujo risco não podemos ignorar. Perante os nossos leitores, assumimos o compromisso de acompanhar este tema com um redobrado esforço de busca da verdade, mantendo a isenção, a independência e o rigor. E agindo com total transparência a respeito de potenciais conflitos de interesse que possam existir, tal como exige o Código de Conduta do JE.

 

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