Mário Ferreira lança OPA sobre 70% da Media Capital. Paga 0,67 euros por ação

Na sequência de uma deliberação da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a Pluris Investments, de Mário Ferreira, lançou uma OPA obrigatória sobre a totalidade do capital que não controla na dona da TVI.

A Pluris Investments, do empresário Mário Ferreira, lançou esta quarta-feira uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre 69,78% da Media Capital.

Segundo o anúncio preliminar da OPA, divulgado esta quarta-feira pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a operação incide sobre a totalidade do capital da dona da TVI que a Pluris não controla, em conformidade com a decisão que regulador emitiu na semana passada.

A Pluris, que é o oferente da OPA, detém atualmente 30,22% da Media Capital que, por sua vez, é a sociedade visada.

“A oferta tem por objeto a totalidade das ações representativas do capital social e dos direitos de voto da sociedade visada, com exclusão das que sejam diretamente detidas pela oferente. Deste modo, a oferta tem por objeto a totalidade das ações e dos correspondentes direitos de voto, representativas de 69,78% do capital social da sociedade visada”, lê-se no anúncio preliminar.

A preço oferecido pela Pluris — cuja fixação depende da determinação de auditor independente — é de 0,67 euros por ação, a pagar em numerário.

“A contrapartida oferecida pelas ações objeto da oferta, a pagar em numerário, será a que resultar da determinação do Auditor Independente acrescida de 2% (dois por cento), desde que não inferior a 0,67 euros (sessenta e sete cêntimos) caso em que será este o valor da contrapartida”, lê-se no anúncio preliminar.

A OPA está dependente das autorizações dos reguladores competentes que, neste caso, são a Autoridade da Concorrência e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

Esta é OPA obrigatória surge na sequência de uma deliberação da CMVM que, no passado dia 18 de novembro, confirmou um projeto de decisão anteriormente emitido a 9 de outubro, segundo o qual obrigaria a Pluris a lançar uma OPA se esta não conseguisse ilidir a presunção de ter atuado exercido influência dominante sobre a Media Capital de forma concertada com a Vertix, empresa detida pela Prisa que vendeu uma participação de 30,22% que tinha na dona da TVI à empresa de Mário Ferreira.

Por isso, a CMVM considerou que influência dominante passou a ser a ser conjuntamente imputável à Vertix e à Pluris,depois do acordo de venda de 30,22% da Media Capital, ficando a Pluris obrigada a lançar uma OPA sobre a totalidade do capital da dona da TVI que não controla.

O regulador dos mercados de capitais explicou ainda que a OPA da Pluris à Media Capital segue o regime das ofertas concorrentes, uma vez que ainda corre a OPA que a Cofina, de Paulo Fernandes, lançou sobre a Media Capital.

Por isso, as duas ofertas encontram-se sujeitas à definição de preço por auditor independente, que tinha sido previamente chamado a definir o preço oferecido pela Cofina. Assim, o resgisto das duas ofertas só poderá ocorrer após essa definição, devendo o prazo de aceitação das ofertas decorrer em simultâneo, em conformidade com o regime das ofertas concorrentes.

O regime das OPAs concorrentes permite que a Cofina revogue a sua oferta sobre a Media Capital, que o poderá fazer depois do registo das duas operações.

Esta terça-feira, Mário Ferreira tornou-se presidente do conselho de administração do Grupo Media Capital, numa assembleia geral cujas deliberações a ERC disse que não iria reconhecer por considerar que existem “dúvidas fundadas” sobre a titularidade das participações sociais dos novos acionistas do grupo português de media.

(atualizada com mais informação às 21h50)

Pluris discorda da fundamentação da CMVM para lançar OPA sobre 70% da Media Capital

Ler mais
Relacionadas

Cofina “continua disponível” para fazer parte de uma solução de viabilidade da Media Capital

A Cofina afirma que, “enquanto oferente na oferta pública de aquisição (OPA) em curso, continua disponível para fazer parte de uma solução de viabilidade e crescimento da Media Capital”, disse à Lusa fonte oficial.

Media Capital. ERC acena com possível suspensão dos direitos de voto dos novos acionistas

A empresa Pluris, de Mário Ferreira, comprou 30% da Media Capital à Vertix, da espanhola Prisa, e poderá ficar com os direitos de voto suspensos. Suspensão também se aplica aos outros acionistas qualificados.

Mário Ferreira tem cinco dias úteis para lançar OPA sobre 70% de dona da TVI

O empresário já controla 30% da Media Capital, mas a CMVM obriga-o agora a lançar uma oferta sobre a totalidade da cotada. A CMVM concluiu que a “Pluris e a Vertix exerceram, de forma concertada influência dominante sobre a Media Capital”. Mário Ferreira fica agora obrigado a apresentar uma oferta mínima de 0,423 euros por ação da dona da TVI.
Recomendadas

Propostas dos operadores superam os 194 milhões de euros no quinto dia da licitação principal do leilão do 5G

Em leilão estão faixas dos dos 700 MHz, 900 MHz, 2,1 GHz, 2,6 GHz e 3,6 GHz. No conjunto dos mais de 50 lotes em concurso, o preço base total é de 195,9 milhões. Esta quarta-feira, sete lotes viram o seu preço base aumentar.

Sindicatos da TAP foram avisados de que BE ia propor auditoria à gestão de Neeleman

A auditoria proposta pelo Bloco de Esquerda não será viabilizada no Parlamento. O projeto de resolução entregue pelo BE a recomendar ao Governo uma auditoria à gestão privada da TAP, não chegará a qualquer conclusão no sentido de saber quais são as efetivas responsabilidades do empresário David Neeleman na gestão da TAP e na situação financeira em que a companhia aérea se encontra.

AHRESP defende revogação da medida que proíbe venda de bebidas em ‘take-away’

A associação refere que a medida “apenas vai prejudicar a já difícil situação dos estabelecimentos”. A AHRESP acrescenta que “o que se quer prevenir é o consumo de produtos à porta do estabelecimento ou nas suas imediações, e não a venda”.
Comentários