Marques Mendes: Portugal vai anunciar linha de crédito de 500 milhões para apoiar as exportações para Angola

O comentador anunciou ainda que no OE 2019, o último de Mário Centeno, o défice vai ser de 0,2% (tecnicamente défice zero). Mas o próximo ministro das finanças já vai apanhar a economia europeia em forte desaceleração.

Luís Marques Mendes, no seu comentário semanal na SIC, comentou naturalmente a visita de Estado, que se vai iniciar esta segunda-feira, do primeiro-ministro português a Angola.

“Portugal precisa de intensificar a sua relação económica com Angola, para investir e para exportar”, disse o comentador que lembrou que há uns anos Angola era o quarto destino das exportações portuguesas e hoje é o sétimo.

”Nesta visita os acordos que vão naturalmente ser celebrados, são: o acordo  para evitar a dupla tributação; vai ser anunciada uma linha de crédito de 500 milhões de euros para apoiar as exportações portuguesas para Angola; o outro dossier importante que vai estar em cima da mesa é a dívida de Angola às empresas portuguesas”, disse Marques Mendes que considera no entanto que esta visita é sobretudo política.

A dívida de Angola às empresas ronda os 500 milhões de euros é o dossier mais difícil por causa das sucessivas desvalorizações do kwanza, reconheceu o comentador.

A TSF noticiou recentemente que este é um processo para ser feito a dois tempos: primeiro o “reconhecimento e a certificação”, por parte do Estado angolano, do montante dos pagamentos em atraso; depois, um acordo sobre as modalidades de pagamento.

Angola precisa de conhecimento, investimento e tecnologia, e Portugal tem condições para ajudar aquele país na óptica do comentador.

Taxa Robles e Taxa Rio

“Sem terem feito muito por isso, PS e CDS foram os dois grandes vencedores desta semana – à custa do BE e do PSD”, defendeu.

”Foram dois grandes tiros no pé”, considerou realçando que o PS ganha trunfos em direção à maioria absoluta, pois “a classe média assusta-se com estas ideias do Bloco de Esquerda”, disse.

Marques Mendes salientou que a proposta do BE de criar um novo imposto sobre negócios imobiliários “é uma manobra de diversão para o grande problema que teve em agosto. O caso Robles”, considera o comentador.

O CDS também ganha com o tiro do pé de Rui Rio, disse Marques Mendes que realça que “Rui Rio foi muito precipitado. Porque tem defendido e bem a estabilidade fiscal, mas assim que lhe puseram um microfone à frente deu um pontapé na coerência, veio logo defender uma mudança do regime fiscal”, ironiza Marques Mendes.

Depois o líder do PSD “tem dito que não se pronuncia sobre o Orçamento de Estado enquanto não o conhece, e aqui veio pronunciar-se sobre uma proposta do Bloco que ainda ninguém conhece”, salienta ainda o comentador nas suas críticas a Rui Rio.

Marques Mendes foi mais longe e disse mesmo que Rui Rio devia ter sido mais social-democrata. “O que Rui Rio devia ter dito visto é: temos ou não um problema em Portugal na habitação. Qual é esse problema? Falta de casas para vender ou para arrendar e por isso os preços sobem”.

Marques Mendes defende que este problema não se resolve com mais ou menos impostos. “Temos é que colocar mais casas no mercado. Mais impostos ou novos impostos têm efeito contrário – fazem retirar ainda mais casas do mercado, porque os investidores se retraem.
O que temos é de aprovar incentivos para ter maior oferta de casas no mercado e assim fazer baixar preços”, disse.

“Rui Rio foi populista e deixou o eleitorado do PSD com os cabelos em pé”, acusou o comentador.

O problema não é fiscal. É de oferta de habitação.

A sondagem do Expresso/SIC dá uma subida de 0,2% ao PSD, continua a 14 pontos do PS. Mas, diz o comentador, “não se deve criar um congresso extraordinário para substituir Rui Rio. Seria um enorme disparate”, defendeu.

Orçamento do Estado para 2019 vai apontar para um défice de apenas 0,2%

Este Orçamento de Estado vai ser muito eleitoralista, considera o comentador, que enumera “no domínio dos impostos, no domínio das pensões, no domínio dos passes sociais, no domínio da energia”.

No défice vai ser um orçamento histórico, disse. “O que vai ficar inscrito no OE vai ser um défice de 0,2% do PIB, o que na prática é tecnicamente um défice zero. Mas com as cativações, provavelmente, vamos ter ao longo do ano um défice zero ou mesmo um excedentezinho orçamental” disse adiantando que “isto é histórico”.

Só Marcelo Caetano em 1970 teve 0,1% de excedente orçamentalmente, e antes com Salazar em 1952, onde Portugal teve um superávit orçamental de 0,3%. Depois nos anos 58, 59 e 60, o país teve contas equilibradas.

Este défice zero dificultará a vida à oposição, defendeu.

Este OE tem outra particularidade – será o último OE de Mário Centeno. Ele não ficará no próximo Governo e quer sair ficando na história como o único Ministro das Finanças que em democracia conseguiu um orçamento de défice zero ou até com excedente orçamental.

Marques Mendes diz que Mário Centeno tem ambições internacionais e aponta a presidência do futuro Fundo Monetário Europeu (um FMI para a zona euro) como um seu destino provável, se este organismo, que está previsto no âmbito da reforma da zona euro, for criado a tempo.

Em alternativa poderá ser comissário europeu, defende.

“O futuro ministro das finanças é que vai ter a vida dificultada”, disse.

No final do ano acaba-se a compra de dívida pelo BCE, o que vai ser complicado para países como Portugal e provavelmente já em 2020  a economia europeia vai estar em acentuada desaceleração.

 

(atualizada)

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