Joana Marques Vidal diz que magistrados já têm regras e sindicâncias de auto-regulação

Referindo-se à violação do segredo de justiça, Joana Marques Vidal disse que “os jornalistas não publicam tudo o que sabem, pois têm algum cuidado”.

A ex-procuradora-geral da República (PGR), Joana Marques Vidal, sublinhou nesta segunda-feira que os magistrados já têm que cumprir uma série de regras e sindicâncias de auto-regulação.

Em conferência na SEDES, questionada sobre “quem controla os magistrados”, no âmbito da autonomia do Ministério Público, a ex-PGR destacou uma série de mecanismos de auto-regulação.

“Existe uma ideia errada de que quem manda no Ministério Público é o Conselho Superior do Ministério Público”, afirmou também Marques Vidal, na fase de perguntas e respostas que se seguiu à sua intervenção de hoje na conferência da SEDES, em Lisboa, com enfoque na “corrupção” e na “autonomia do Ministério Público”.

“Efetivamente, o Conselho Superior não é o órgão máximo do Ministério Público”, reiterou depois Marques Vidal, quando se referia à avaliação dos magistrados.

Quanto à questão da violação do segredo de justiça, que Marques Vidal salientou ser potenciada pela “rapidez com que hoje em dia se divulga qualquer notícia”, a ex-PGR admitiu que “eu também sei que os jornalistas não publicam tudo quanto sabem, pois têm algum cuidado”.

Relacionadas

Joana Marques Vidal quer estratégia nacional contra a corrupcão

Ex-procuradora-geral da República, que foi à SEDES falar sobre autonomia do Ministério Público, salientou que a corrupção “põe em causa a confiança dos cidadãos nas suas estruturas políticas e por isso põe em causa em democracia”.

Ex-procuradora-geral da República critica proposta socialista de dar autonomia financeira à PGR

Joana Marques Vidal diz que proposta pode pôr em causa recursos necessários para levar a cabo investigações de crimes de elevada complexidade.
Recomendadas

DCIAP vai analisar auditoria ao Novo Banco

A auditoria da Deloitte aos atos de gestão do BES/Novo Banco entre 2000 e 2018, classificada como confidencial, já está na PGR. O Governo justificou o envio do relatório devido às matérias em causa no período abrangido que coincide com aquele a que respeitam processos criminais e à necessidade de salvaguardar os interesses financeiros do Estado. Documento seguiu para o DCIAP com vista a “análise e sequência”, diz PGR.

Rui Pinto: “Estou cá para lutar e para mostrar a todos que fiz o que tinha que fazer”

O hacker português acusado de 90 crimes, começa a ser julgado na próxima semana. Rui Pinto conta à “Der Spiegel” que Portugal está “sufocado com corrupção” e que olha para o que fez com “orgulho”.

Racismo. Ameaças por e-mail a deputadas e ativistas vão ser investigadas como crime terrorista

Investigação está a ser tratada com máxima prioridade pela Polícia Judiciária que admite ao jornal “Expresso” que a tarefa será “muito difícil”.
Comentários