Menos turistas é dos maiores impactos do coronavírus para Cabo Verde, alerta Fitch

“Uma forte contração no turismo devido ao impacto do coronavírus vai restringir o crescimento económico e diminuir os lucros em moeda estrangeira para muitas economias”, lê-se num relatório sobre o efeito do surto nos países do Médio Oriente e África.

A agência de notação financeira Fitch considerou esta quarta-feira que a redução do número de turistas devido ao surto do novo coronavírus (Covid-19) será um dos principais impactos para Cabo Verde, arriscando uma redução do crescimento económico.

“Uma forte contração no turismo devido ao impacto do coronavírus vai restringir o crescimento económico e diminuir os lucros em moeda estrangeira para muitas economias”, lê-se num relatório sobre o efeito do surto nos países do Médio Oriente e África.

No documento, enviado aos clientes e a que a agência noticiosa Lusa teve acesso, a Fitch Ratings escreve que entre os países “particularmente expostos a este efeito” estão Cabo Verde, Egipto, Líbano, Marrocos e Ruanda, entre outros.

“A severidade do impacto do vírus nos padrões de viagens vai depender da duração da epidemia, cujos efeitos adversos vão aumentar se as perturbações durarem até meio do ano”, acrescentam os analistas.

No relatório, a Fitch Ratings escreve que o principal impacto, para já, está a ser sentido devido à redução dos preços do petróleo, que afeta principalmente os países exportadores desta matéria-prima, como Nigéria, Angola e Guiné Equatorial.

No final de janeiro, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) antecipou um crescimento de 5% da economia de Cabo Verde, impulsionado pelo aumento do turismo e da indústria.

“O momento de crescimento económico em Cabo Verde continua forte, com a expansão do Produto Interno Bruto a dever ter ficado nos 5% em 2019, lê-se no relatório sobre as Perspetivas Económicas Africanas, divulgado a 30 de Janeiro em Abidjan, a sede do BAD, no qual se defende que o arquipélago deve apostar no desenvolvimento de infraestruturas e apostar ainda mais na riqueza marítima.

O relatório deste ano, com o subtítulo ‘Desenvolvendo a Força de Trabalho Africana para o Futuro, aponta, na parte relativa a Cabo Verde, que “o impacto do investimento público no crescimento ficou abaixo do potencial devido às ineficiências das empresas públicas, o que resultou numa dívida pública elevada”, recomendando por isso uma aposta mais consistente nesta área.

O PIB deverá crescer 5% neste e no próximo ano, puxado pela indústria, pescas, comércio e turismo, estima o BAD, que aponta que o arquipélago podia tirar mais vantagem nesta área: “Cabo Verde podia capitalizar a sua riqueza marítima resolvendo os gargalos que existem nas infraestruturas logísticas e de transporte para desenvolver uma economia mais diversificada”, escrevem os economistas, que elogiam a privatização da Cabo Verde Airlines, em Março, e o início das operações da Cabo Verde Interilhas, em agosto.

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