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Mercosul: Agricultores franceses voltam a bloquear Paris

Protestos contra o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia voltam a encher algumas artérias de Paris de tratores e alfaias agrícolas, como vem sucedendo há 25 anos.
8 Janeiro 2026, 09h40

Agricultores franceses lançaram antes do amanhecer mais um bloqueio das estradas para Paris, em protesto contra um amplo acordo comercial que a União Europeia espera assinar em breve com as nações sul-americanas que fazem parte do Mercosul.

O sindicato Coordination Rurale convocou o protesto, temendo que o acordo de livre comércio inunde a União Europeia com importações baratas de alimentos. Ao mesmo tempo, os agricultores mostram-se e indignados com o tratamento que o governo tem dispensado ao tratamento de doenças do gado.

Os agricultores ultrapassaram os postos de controlo policiais para entrar na cidade, dirigindo-se aos Campos Elíseos e bloqueando a estrada em redor do monumento do Arco do Triunfo antes do amanhecer de quinta-feira, enquanto a polícia os cercava. Dezenas de tratores bloquearam rodovias que levam à capital, causando 150 km de engarrafamentos, disse o ministro dos Transportes, citado pela imprensa gaulesa.

Mais tarde, agricultores de outros sindicatos, nomeadamente dos jovens agricultores, juntaram-se ao protesto na Torre Eiffel numa manifestação que, para já, se vai mantendo calma – o que nem sempre acontece quando o setor protesta na capital francesa.

O protesto aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e o seu governo, um dia antes de os Estados-membros da União votarem sobre o acordo comercial. Embora Paris tenha conquistado concessões significativas de última hora – tal como sucedeu com Itália, outro dos países da União que observam o acordo com resistência – a questão é um ponto crítico para o governo, que tem tido grandes dificuldades, tal como os seus antecessores, em impor a sua agenda. A questão é facilmente elevável à categoria de arma política parlamentar, o que coloca pressão adicional num tema que é especialmente sensível no país.

A juntar aos protestos contra o acordo, os agricultores franceses queixam-se também do emagrecimento do financiamento comunitário do setor primário – fazendo regressar os temores antigos de que a PAC é um dos assuntos que o bloco vai ‘empurrando para a frente’.

A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, disse na quarta-feira que, mesmo que os membros da União apoiassem o acordo, a França continuaria a lutar contra ele no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que entre em vigor. Resta saber se a França conseguirá reunir um grupo suficientemente robusto para bloquear a assinatura – sendo importante, nesse contexto, perceber-se qual será a posição da Itália.

Esta semana, a Comissão Europeia propôs disponibilizar 45 mil milhões de euros de financiamento para os agricultores no próximo orçamento do bloco e concordou em reduzir as taxas das importações sobre alguns fertilizantes, numa tentativa de conquistar países que hesitam em apoiar o Mercosul.

O acordo conta com o apoio de países como Alemanha e Espanha, e a Comissão parecia mais próxima de conquistar o apoio da Itália. Portugal é um dos países que há muito foi ‘conquistado’ para o acordo. O ministro da Agricultura afirmou esta quarta-feira, citado pela Lusa, estarem reunidas as condições para a aprovação do acordo comercial, considerando-o positivo para todos os Estados-membros e “uma oportunidade” para países como Portugal. “Considero que, neste momento, estão reunidas as condições para o acordo Mercosul ser aprovado”, afirmou José Manuel Fernandes em declarações após uma reunião dos ministros da Agricultura europeus.

“É extremamente importante e é uma oportunidade para países como Portugal. Temos um défice com o Mercosul de cerca de 500 milhões de euros anuais e vamos poder aumentar as nossas exportações no vinho, no azeite, nos queijos”, salientou. José Manuel Fernandes referiu ainda que, no âmbito deste acordo, Portugal teria também “36 denominações de origens protegidas”, o que considerou positivo para o país, mas também para a União Europeia.

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