Meta de produção da Galp para 2021 desilude e ações tombam 3%

Os analistas ficaram desapontados com o ‘guidance’ empresa sobre a produção de petróleo este ano, que vai ficar entre 125 mil e 135 mil barris por dia, prevendo uma reação negativa do mercado. Em relação à nova política de dividendo, a opinião divide-se entre alguns elogios e desilusão.

Galp

As novas metas de produção de petróleo e de resultados operacionais da Galp Energia para 2021 ficaram aquém das expectativas dos analistas, pressionando as ações da empresa agora liderada pelo britânico Andrew Brown para uma queda de 3% esta segunda-feira.

Num comunicado em que apresentou um resultado líquido ajustado (RCA) de 42 milhões de euros de prejuízo em 2020, face a um lucro de 560 milhões de euros no ano anterior, a Galp reviu as estimativas para 2021, “incorporando maior prudência no que respeita à evolução macro e dos seur potenciais efeitos nas operações e resultados”.

A empresa prevê agora produção de petróleo total numa base working interest de entre 125 mil e 135 mil barris por dia este ano, face à média de 128,2 mil barris diários em 2020.

“O guidance sobre a produção é muito mais fraco que esperado”, referiu Biraj Borkhataria, deputy head of European research no RBC Capital Markets, salientando que o banco tem uma estimativa 137 mil barris por dia e que a empresa parece estar à espera de “mais um ano no Brasil devido a desafios apresentados pela Covid-19, que atrasaram as ligações entre poços e também a manutenção em 2020”.

“Isto é capaz de desiludir os investidores”, sublinhou.

Na mesma veia, os analistas do CaixaBank BPI salientaram que o outlook ficou abaixo das expectativas, alertando que poderá provocar “uma reação negativa”.

As ações da Galp caem 3% para 9,208 euros por ação, tendo chegado a descer 4,8%, numa sessão em que o índice PSI 20 recua 0,29%.

O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no negócio do upstream superou as estimativas, mas “isso irá ficar em segundo plano, pois as metas para 2021 ficaram aquém da expectativas, especialmente na produção, sugerindo que os problemas operacionais que impactaram 2020 irão continuar em 2021”, sublinharam os analistas do CaixaBank BPI.

Jason Kenney, analista do Santander especializado nas oil utilities integradas, disse que o guidance cauteloso, que inclui um EBITDA de 1,6 mil milhões de euros a 1,8 mil milhões em 2021, poderá desiludir, mas sublinhou que é baseado em estimativas conservadoras, nomeadamente o preço do barril de Brent a 50 dólares e a margem de refinação entre 2 e 3 dólares.

Analistas vêm ‘upside’

Em relação à proposta de dividendos para os acionistas, com a Galp a apontar para 0,35 euros por ação relativo ao exercício de 2020 e um objetivo de 0,50 euros sobre os resultados deste ano, os analistas estão mais divididos.

Jason Kenney salientou que o dividendo em relação ao ano passado ficou abaixo de consenso dos analistas, de 0,453 euros por ação, e que apesar de a Galp ser vista mais como uma aposta de crescimento do que de yield, “o dividendo poderá desiludir”.

Biraj Borkhataria, do RBC Capital Markets, salientou, por outro lado, que o objetivo do dividendo em relação às contas de 2021, é superior à estimativa do banco, que é de 0,45 euros, e implica um dividend yield de 5,6 euros, que vemos como competitivo face às pares”.

A visão do RBC é que a Galp é um dos poucos nomes no sector que pode reduzir substancialmente o investimento no curto prazo sem impacto material nos volumes. “Vemos a empresa como bem colocado face às pares, mas tendo em conta a mudança de CEO, os investidores irão provavelmente querer mais visibilidade sobre a estratégia antes de voltarem a entrar”, concluiu.

Para o Santander, apesar de os resultados do quarto trimestre terem sido neutrais, o dividendo ter sido cortado e guidance ter sido cauteloso, “vemos valor no título numa base de um a três anos face à cotação atual e mantemos a nossa recomendação de ‘Buy’“.

O banco tem um preço alvo de 15,5o euros por ação para a Galp, enquanto o RBC atribui um alvo de 14,50 euros.

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