Mexida no mapa eleitoral facilita reforço do PAN e entrada de novos partidos

Bastaria repetir o número de votos nas europeias para o PAN triplicar a presença na Assembleia da República e para que pelo menos a Aliança e o Livre elegessem deputados. Aumento do peso dos círculos de Lisboa e Porto facilita vida dos pequenos partidos.

O aumento do número de deputados eleitos pelos círculos eleitorais de Lisboa e do Porto, que ganharam um assento na Assembleia da República enquanto Viseu e Guarda perderam um, facilita ainda mais o aumento da representação do PAN – Pessoas, Animais, Natureza e a entrada do Aliança e do Livre no Parlamento que vai sair das legislativas de 6 de outubro.

Bastaria a repetição do número de votos conseguidos nos dois maiores círculos eleitorais (Lisboa passou de 47 para 48 deputados e o Porto de 37 para 38, concentrando 86 dos 230 parlamentares) para que André Silva fosse acompanhado por Inês Sousa Real (pois a ex-provedora dos Animais da capital é a número 2 do PAN por Lisboa) e pela psicóloga Bebiana Cunha, cabeça de lista pelo Porto. Isto apesar de as últimas sondagens perspectivarem uma subida ainda maior para o partido que ganhou representação parlamentar nas legislativas de 2015.

As restantes duas prováveis novidades no círculo de Lisboa em nada são iguais: o ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes também será eleito caso repita a votação conseguida por Paulo Sande enquanto cabeça de lista do Aliança nas europeias, sucedendo o mesmo a Jooacine Katar Moreira desde que a cabeça de lista do Livre pela capital não fique aquém do número de votos obtidos por Rui Tavares no ato eleitoral de 26 de maio. Tanto o antigo líder do PSD como a ativista pelos direitos das mulheres e das minorias étnicas são potenciais beneficiários da existência de um 48.° deputado em Lisboa, o que baixa a fasquia de votos necessários em meia centena de votos.

Mais necessitado de melhorar o score eleitoral das europeias está André Ventura, cuja ambição de levar as suas propostas políticas ao Palácio de São Bento implicará que o Chega acrescente mais de cinco mil eleitores lisboetas àqueles que apoiaram a Coligação Basta!, sendo preciso um esforço ainda maior para cumprir o objetivo de eleger também nos círculos do Porto e de Setúbal.

Perdas na Beira Alta com poucos efeitos

No que toca aos círculos beirões de Viseu e da Guarda, que perdem o nono e o quarto deputado, respetivamente, isso implicaria menos um social-democrata em Viseu e menos um socialista na Guarda utilizando como termo de comparação as legislativas de 2015 (nas quais o PSD estava coligado com o CDS-PP enquanto Portugal à Frente). Tendo em conta que o 48.° de Lisboa e o 38.° do Porto seriam do PSD, o centro-direita então liderado por Pedro Passos Coelho teria mais dois deputados que não chegariam para evitar o derrube do XX Governo Constitucional e a formação da solução governativa liderado por António Costa e alcunhado de “Geringonça”.

Nas próximas legislativas fica a certeza de ficará desfeita qualquer hipótese de empate entre PSD e PS  a Guarda, ainda que os resultados das europeias façam lembrar que não é totalmente garantido que o círculo leve dois social-democratas e um socialista para o Parlamento. Mais complexa é a situação em Viseu, pois o lugar do centrista Hélder Amaral – ameaçado pela desmobilização do eleitorado no distrito, patente na inaudita ultrapassagem que o Bloco de Esquerda lhe fez nas europeias – fica cada vez incerto, sendo necessário quase dez por cento dos votos para evitar um “quatro a quatro” entre PSD e PS.

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