Miguel Albuquerque apoia entendimento entre PSD e Chega mas descarta “moderação” ao partido de André Ventura

O líder do PSD da Madeira e presidente do Governo regional acredita que a aproximação entre os dois partidos pode “derrotar a esquerda” e afirma que “tudo o que sejam coligações no sentido de derrotar a esquerda em Portugal é bem vindo”.

Cristina Bernardo

O presidente do Governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, considera “fundamental para o centro-direita” um entendimento entre o Partido Social Democrata (PSD) e o Chega de André Ventura. O líder do PSD da Madeira acredita que a aproximação entre os dois partidos pode “derrotar a esquerda” e, ao contrário do líder social-democrata, Rui Rio, dispensa qualquer “moderação” ao partido de André Ventura.

Em entrevista à rádio ‘Renascença’, Miguel Albuquerque afirmou que “tudo o que sejam coligações no sentido de derrotar a esquerda em Portugal é bem vindo” e que uma aproximação entre o PSD e o Chega contribuiria para derrubar o Partido Socialista (PS). “Basta olhar para o xadrez político, para a situação, para perceber que, neste momento, é fundamental que o centro-direita se junte para derrotar a esquerda”, sublinhou.

Para Miguel Albuquerque, foi no sentido de reforçar “as forças de centro-direita” que Rui Rio veio admitir, em entrevista à RTP3, que as conversações “não dependem do PSD, dependem do Chega”. “Se o Chega evoluir – embora seja um partido marcadamente de direita, em muitos casos de extrema-direita, muito longe de nós que estamos ao centro – para uma posição mais moderada, penso que as coisas se podem entender”, referiu.

Apesar de as declarações de Rui Rio terem agitado o PSD e motivado críticas de vários partidos, Miguel Albuquerque vai mais longe e admite a possibilidade de conversações mesmo se o Chega não assumir qualquer moderação no discurso. “O que quer dizer moderado? Moderado como o Bloco de Esquerda, que é estalinista? Moderado como Partido Comunista, que defende a Coreia do Norte?”, questiona.

“Evidentemente que nós temos de salvaguardar os valores essenciais do nosso partido, que são valores humanistas, mas isso não implica que do ponto de vista instrumental e político se formem alianças para derrotar o nosso adversário principal”, argumenta o líder do PSD da Madeira, notando que “hoje, a extrema direita europeia integra coligações em governos democráticos na Europa e nenhum mal veio ao mundo por isso”.

Miguel Albuquerque desvalorizou ainda algumas das posições mais radicais do partido de André Ventura, como a prisão perpétua de homicidas ou a castração química de pedófilos, dizendo que “o Chega é acusado de tudo” e que isso mostra que tem “uma repercussão na sociedade portuguesa” e “aborda um conjunto de temas e respostas que não são abordadas pelos partidos tradicionais”. “Todas as propostas, em democracia, devem ser discutidas”, referiu.

“Alguns aspetos do discurso do Chega, sobretudo o confronto com os tabus da esquerda, faz com que um conjunto do eleitorado se reveja nesse discurso”, concluiu.

Ler mais
Relacionadas

Entendimento entre PSD e Chega? Declarações de Rio deixam partido em polvorosa e reacendem debate

A possibilidade de entendimentos eleitorais com o Chega foi levantada pelo presidente do PSD, Rui Rio, numa entrevista à RTP3, que apanhou de surpresa vários sociais-democratas. A discussão, no entanto, não é nova e marcou divisões no partido na corrida à presidência do PSD em janeiro. Fora do partido, há quem também critique a abertura de Rui Rio.
Recomendadas

Madeira quer estar incluída no Banco de Fomento até final do mês

O vice-presidente do executivo madeirense considerou que “se há uma ajuda comunitária à constituição de um banco de fomento para servir a nível nacional, não faz qualquer sentido as regiões não estarem lá representadas”.

Madeira: CDS-PP espera que nova Lei das Finanças Regionais esteja em vigor no primeiro semestre de 2022

o PSD e o CDS-PP já apresentaram as suas propostas para uma nova Lei das Finanças Regionais. Entre elas a integração de um Fundo de Coesão Social, que compense os custos acrescidos das regiões autónomas na Educação e Saúde, e alterações na fiscalidade, que prevê que as taxas de IRS e IRC variem consoante as necessidades.

Saiba o que pode fazer para poupar água

Equipe as torneiras da sua casa com redutores e reduza o seu caudal em cerca de 50%.
Comentários