Mike Pompeo “muito frustrado” com a tentativa de resolver conflito político no Afeganistão

Ashraf Ghani e o rival político Abdullah Abdullah não se entendem quanto aos resultados das eleições – tal como sucedeu em 2014. Mas desta vez, e ao contrário do que sucedeu em 2014, a mediação norte-americana não está a ser bem sucedida.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, disse esta quarta-feira estar frustrado após uma visita de um dia ao Afeganistão, na qual não conseguiu mediar o fim de uma disputa de liderança entre o presidente Ashraf Ghani e o rival político Abdullah Abdullah.

“Serei honesto, foi muito frustrante”, disse Pompeo à imprensa reunida no Departamento de Estado. No entanto, disse também que continuarão os esforços da parte da asministração norte-americana para convencer todas as partes envolvidas no conflito a aceitarem a paz e a reconciliação e que ele próprio continua otimista quanto às perspectivas de negociações de paz intra-afegãs.

Mike Pompeo foi a Cabul para tentar desbloquear o diálogo inter-afegão e assim salvar o acordo que o seu país assinou com os rebeldes Taliban no mês passado. O pacto, que permitirá a saída das tropas norte-americanas do Afeganistão, colidiu com a crise política aberta devido à recusa de Abdullah Abdullah em reconhecer a reeleição como presidente de Ashraf Ghani. No meio da crise, os rebeldes taliban retomaram os seus ataques.

Apesar de a comissão eleitoral ter concluído em fevereiro passado que Ghani obteve o maior número de votos nas eleições de setembro, a equipa de Abdullah insiste que houve fraude em algumas regiões e que, sem esses votos, o seu candidato é o vencedor. Um episódio em tudo semelhante ocorreu na sequência das eleições afegãs de 2014 – mas na altura os norte-americanos conseguiram convencer Abdullah a aceitar os resultados oficiais.

O confronto levou a que, no dia em que Ghani foi investido, Abdullah se auto-proclamasse presidente numa cerimónia simultânea. A crise paralisou a nomeação da equipa que deveria sentar-se para negociar com os Taliban como um passo anterior à retirada das forças norte-americanas.

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