Ministra da Saúde admite que apoio médico aos lares “foi difícil de enquadrar” legalmente

“Morreram mais de 700 pessoas em lares”, recordou o deputados do PSD, Ricardo Baptista Leite. “No nosso país estima-se que 35 mil idosos estejam a viver em mais de três mil e quintos lares ilegais”, afirmou hoje no Parlamento.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A ministra da Saúde, Marta Temido, assumiu que o apoio médico aos lares “foi difícil de enquadrar” legalmente, durante audição conjunta com a ministra dos Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, esta quarta-feira, 16 de setembro.

“Um dos problemas que temos em cima da mesa é a do apoio médico a estas estruturas”, referiu Marta Temido sublinhando que esta “foi uma realidade que foi difícil de enquadrar [legalmente], nós temos uma portaria , no ministério da Saúde que de alguma forma dispensa”.

Uma resposta ao deputado do PSD, Ricardo Baptista Leite que considerou que “o Estado falhou naquilo que é a proteção dos mais vulneráveis” e recordou que o “primeiro-ministro disse mais que médicos foram chamados a prestar cuidados às pessoas de Reguengos de Monsaraz e que estas se recusaram a ir. “É fundamental saber o nome destes médicos e que processos disciplinares foram instaurados a estes médicos”, pediu Ricardo Baptista Leite.

Por sua vez, Marta Temido garantiu que “determinamos auditoria da Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS) porque quem quer que sejam as responsabilidades, nossas ou de outros elas tem de ser apuradas”. A ministra da Saúde também frisou que por detetar a falta de apoio médicos nos lares “no dia 24 de abril tivemos a iniciativa de determinar o seguimento diário”.

Marta Temido garantiu que ao longos dos últimos meses “aprendeu-se muito e aprendeu-se de uma forma muito pesada porque com cada uma destas mortes, com cada um destes óbitos , sentimos que falhamos um pouco e isso leva-nos sobretudo a pensar que temos de ser melhores para a próxima e é isso que estamos a tentar fazer.

“Morreram mais de 700 pessoas em lares”, lembrou o deputados do PSD realçando que “no nosso país estima-se que 35 mil idosos estejam a viver em mais de três mil e quintos lares ilegais”. Ricardo Baptista Leite também apontou que o problema nos lares de idosos deveria ser gerido a partir do terreno  e não com “normas, decretos, orientações”.

Quanto à lista de lares de Estado e lares privados, bem como das suas condições, pedida pelo PSD ao Governo, Ricardo Baptista Leite requisitou que fosse “enviada à Assembleia da República” e citou que Ana Mendes Godinho é da opinião que a situação nos lares de idosos “era previsível”, em contraste com o que disse Marta Temido em março. “Estou a citar, neste domingo a nossa preocupação central foca-se nas estruturas residências para idosos sejam elas unidades de cuidados integrados pertencentes à rede nacional, sejam lares privados”, destacou o deputado do PSD.

O pedido do PSD contraria a opinião do deputado do PS Tiago Barbosa Ribeiro, que afirmou que “dos partidos não vamos ouvir nenhum contributo concreto, essa seria a vossa responsabilidade também” e perguntou de que forma “é que o PSD, CDS e o PAN pretendem trazer contributos positivos para este debate”.

Tiago Barbosa Ribeiro também enalteceu que “ao tacar o Governo por esta questão sabem que quem tem de garantir em primeiro lugar o enquadramento da segurança nos lares e as condições” que cabem às instituições.

 

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