“Que ninguém no Parlamento se lembre de financiar despesa estrutural com uma receita que ocorre apenas uma vez”, avisou o ministro das Finanças na audição parlamentar no âmbito da apreciação do Orçamento do Estado para 2026 na especialidade. Joaquim Miranda Sarmento refere-se ao dinheiro que o Ministério Público (MP) entende ser devido ao Estado pela EDP no âmbito da venda de seis barragens à Engie.
O MP considerou não haver indícios de fraude nessa operação, mas defendeu que a elétrica deve 335,2 milhões de euros relativos a “impostos em falta”.
Joaquim Miranda Sarmento realça que “poderá haver uma receita em 2026 naquele montante”, mas sublinha que, “mesmo que a Autoridade Tributária liquide” esse valor, “não é líquido que entre em 2026” nas contas do Estado, porque “qualquer contribuinte tem o direito a litigar e a prestar garantia”. O governante afirma que “pode entrar em 2026, como pode entrar em 2027, 2028 ou em 2029”, lembrando que é a Autoridade Tributária, e não o ministro, que liquida impostos.
“Se a decisão do Ministério Público foi aquela, a Autoridade Tributária e Aduaneira tem um ano para agora liquidar ou não impostos e nos montantes que entender. É uma competência da Autoridade Tributária”, ressalvou.
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