[weglot_switcher]

Moçambicana Fundza recebe meio milhar de textos no primeiro concurso literário internacional

“Com este concurso, pretendemos celebrar a literatura, sobretudo a que é produzida nos países que falam português (…), promovendo o intercâmbio e revelando novos autores em língua portuguesa”, disse à Lusa Dany Wambire, editor da Fundza.
25 Janeiro 2026, 13h04

Um concurso literário internacional, dirigido de Moçambique a autores de países de língua portuguesa, recebeu meio milhar de textos, a primeira iniciativa do género da editora Fundza, que pretende promover o intercâmbio cultural e revelar novos autores.

“Com este concurso, pretendemos celebrar a literatura, sobretudo a que é produzida nos países que falam português (…), promovendo o intercâmbio e revelando novos autores em língua portuguesa”, disse à Lusa Dany Wambire, editor da Fundza.

A iniciativa, que vai divulgar os resultados a 30 de janeiro, enquadra-se nas comemorações dos 10 anos da Fundza, que culminará na publicação de três antologias literárias poesia, conto e ensaio e marca o primeiro concurso internacional promovido pela Fundza com este formato, anunciou a organização.

Dany Wambire explicou que o principal objetivo do projeto é valorizar a literatura produzida no espaço lusófono e criar oportunidades concretas para novos autores. Embora seja a primeira iniciativa internacional própria deste género, o concurso dá continuidade a projetos anteriores de cooperação editorial desenvolvidos pela Fundza, incluindo parcerias com editoras estrangeiras.

O editor recordou, a título de exemplo, a coletânea “Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos”, publicada em parceria com a editora brasileira Malê, que reuniu autores consagrados como Mia Couto e Lília Momplé, de Moçambique, e Conceição Evaristo e Rafael Gallo, do Brasil.

A Fundza é primeira editora criada fora da capital moçambicana, constituída em 2016, na província de Sofala, no centro de Moçambique, com o objetivo de dar oportunidade e visibilidade a novos escritores nacionais.

De acordo com a editora, as três antologias finais deste concurso deverão integrar cerca de 60 autores, selecionados entre 519 textos submetidos até final de dezembro passado, incluindo 271 poemas, 222 contos e 26 ensaios literários, provenientes de oito países.

“De Portugal, recebemos 37 textos, um número bastante significativo. Entretanto, foram Moçambique e Brasil que contribuíram com mais inscritos, 315 e 142, respetivamente. Angola registou 20 inscritos e a China contou com dois participantes. Cabo Verde, Estados Unidos da América e França apresentaram um participante”, avançou Wambire.

“A qualidade literária será o fator determinante para a seleção dos textos. Para um eventual equilíbrio, será atendida a questão de representatividade”, explicou, referindo que o júri é composto pelos ensaístas José dos Remédios, Cremildo Bahule e Fernando Chicumule.

Segundo Wambire, a principal marca distintiva destas antologias é a inclusão: “Todos os autores tiveram igual oportunidade de participar. O acentuado número de inscrições é revelador da assertividade na estratégia”, afirmou.

No caso específico do concurso de ensaio literário, o regulamento estabelece que os textos submetidos devem ser inéditos, não sendo cobrada qualquer taxa de inscrição aos participantes.

A divulgação dos resultados está prevista para 30 de janeiro, com a seleção até 15 ensaios para uma antologia comemorativa dos 10 anos da Fundza.

Os três primeiros classificados no concurso de ensaio serão premiados com valores pecuniários de 20 mil meticais (266 euros), 15 mil meticais (200 euros) e 10 mil meticais (133 euros), respetivamente, sendo que todos os participantes receberão certificados de participação.

As antologias de poesia e de contos deverão ser publicadas até abril de 2026, enquanto a de ensaios está prevista para agosto, sendo todo o projeto financiado exclusivamente pela editora Fundza, sem apoios institucionais ou financeiros externos.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.