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Moçambique prevê aumentar em 500% produção de gás natural em cinco anos

De acordo com as previsões inscritas pelo Governo no documento, que será discutido ao longo das próximas semanas na primeira sessão parlamentar ordinária da legislatura, iniciada em 26 de março, este crescimento contrasta com a base de partida de 3,30 mtpa, em 2024.
1 Abril 2025, 19h58

Moçambique prevê aumentar em 500% a produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) em cinco anos, para 20 milhões de toneladas por ano (mtpa), segundo dados do Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025 – 2029 obtidos hoje pela Lusa.

De acordo com as previsões inscritas pelo Governo no documento, que será discutido ao longo das próximas semanas na primeira sessão parlamentar ordinária da legislatura, iniciada em 26 de março, este crescimento contrasta com a base de partida de 3,30 mtpa, em 2024.

Outro objetivo do PQG, o primeiro do executivo liderado pelo Presidente Daniel Chapo, investido nas funções em janeiro, define a meta de aumentar o número de contratos celebrados para pesquisa de hidrocarbonetos dos atuais sete para 16, em 2029.

Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, incluindo um da TotalEnergies, ainda suspenso devido a questões de segurança, na península de Afungi, sendo que apenas o liderado pela italiana Eni está em produção, com previsão de duplicar o volume.

No PQG, o Governo estima ainda o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos atuais 662 dólares (612,5 euros) para 951,71 dólares (880,5 milhões de euros) em 2029, impulsionada precisamente pelos projetos de GNL.

Entretanto, a agência de notação financeira Fitch afirmou em março que a prevista retoma, este ano, do projeto de GNL da TotalEnergies vai facilitar a aguardada decisão da ExxonMobil para outro megaprojeto no norte de Moçambique.

“A retoma da construção do projeto de GNL da TotalEnergies pode facilitar uma decisão final de investimento no projeto de GNL de 30 mil milhões de dólares [27,6 mil milhões de euros] proposto pela ExxonMobil. Este projeto seria parcialmente ‘onshore’ e contribuiria para o crescimento económico durante sua fase de construção”, lê-se numa avaliação da Fitch Ratings, consultada pela Lusa.

A agência de notação acrescenta que a capacidade de produção deste projeto da ExxonMobil “pode ser a maior até agora em Moçambique, com uma capacidade total de 18 milhões de toneladas por ano, em comparação com 12,9 mtpa para o projeto da TotalEnergies”.

A TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1, tem em curso o desenvolvimento da construção de uma central, em Afungi, nas proximidades de Palma, para produção e exportação de gás natural.

Trata-se de um dos três projetos em desenvolvimento em Moçambique, suspenso desde 2021 devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado, que levou a petrolífera a invocar a cláusula de força maior e a retirar todo o pessoal do estaleiro de obras, mas que se prepara para retomar, enquanto ultima a conclusão dos contratos de financiamento de 15 mil milhões de dólares (13,8 mil milhões de euros).

A ExxonMobil escolheu em outubro os norte-americanos da McDermott para, em consórcio, preparar em 16 meses o projeto de engenharia da unidade de produção de gás natural em Moçambique, antecedendo a decisão final de investimento (FDI).

“O projeto Rovuma LNG Fase 1 representa um desenvolvimento significativo para o país e proporciona uma oportunidade significativa para o crescimento económico. O projeto inclui a liquefação e exportação de gás natural extraído dos campos offshore Área 4 ao largo da península de Afungi, em Moçambique [Cabo Delgado]”, lê-se numa informação da McDermott.

O consórcio, além da ExxonMobil, integra ainda os italianos da Eni e os chineses da China National Petroleum Corporation (CNPC), que detêm uma participação de 70% no Contrato de Concessão de Exploração e Produção da Área 4.

O projeto da Exxon em Cabo Delgado – província a norte afetada há sete anos por ataques terroristas – previa, conforme estimativas iniciais, uma produção de 15,2 mtpa de GNL, entretanto revisto para 18 mtpa.

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