Moçambique: Três mortos em nova investida contra automóvel

Três pessoas morreram após um ataque armado contra uma viatura com passageiros e mercadorias em Pundanhar, Cabo Delgado. É o segundo ataque em poucos dias.

António Silva/Lusa

Três pessoas morreram após um ataque armado contra uma viatura com passageiros e mercadorias em Pundanhar, Cabo Delgado, há dois dias, disseram esta quinta-feira fontes locais, assinalando ser a segunda incursão na mesma estrada em poucos dias.

A viatura de caixa aberta fazia o trajeto de 200 quilómetros pela estrada de terra batida entre Mueda e Palma, vila dos projetos de gás natural, e transportava bidões de gasolina para comercialização. Três corpos ficaram no local onde a viatura foi queimada, a menos de 50 quilómetros de Palma, enquanto outros ocupantes fugiram, segundo testemunhas.

No passado sábado, na mesma via, pelos menos seis pessoas morreram e outras desapareceram, incluindo uma criança, depois de um ataque a três viaturas de uma caravana de cinco, levando passageiros e mercadorias com destino a Palma, referiram as mesmas fontes locais.

Uma das viaturas e respetiva carga foi roubada pelos agressores, enquanto as outras duas foram queimadas.

Localizada no extremo norte de Moçambique, encostada à Tanzânia, aquela tem sido a única via terrestre usada para ligar Palma ao resto do país, depois de a estrada principal – a única asfaltada, que passa por Mocímboa da Praia e Macomia – ter sido abandonada devido ao aumento de ataques e movimentação de rebeldes em 2020.

Mesmo assim, depois do ataque de terça-feira, mais nenhum veículo voltou a circular por aquela estrada que passa por Pundanhar e Nangade, relatam residentes de Palma. Ataques semelhantes já tinham ocorrido na mesma via em dezembro e setembro de 2020.

A violência armada em Cabo Delgado, norte de Moçambique, está a provocar uma crise humanitária com cerca de duas mil mortes e 560 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

A província está desde há três anos sob ataque de insurgentes e algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019.

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