Moção de Ventura aponta para ministros do Chega em governo do PSD e afasta mero apoio parlamentar

Fundador recandidata-se à presidência do partido com a ambição de obter entre 10% e 15% nas legislativas, realçando que esse ato eleitoral “pode chegar mais depressa do que o expectável”. E diz que os militantes devem “definir os termos e os modos de luta e resistência” em caso de ilegalização do Chega.

André Ventura

A moção com que André Ventura se vai recandidatar à presidência do Chega deixa claro que o partido não deverá “abdicar da participação ministerial num governo eventualmente liderado pelo PSD”. E aponta as áreas da justiça , fiscalidade, segurança social, administração interna, emprego e defesa como aquelas em que deverão ocorrer reformas estruturais influenciadas pelo seus deputados.

Completamente afastada no texto de Ventura fica a solução de um mero apoio parlamentar a um executivo social-democrata. Considera-se que seria “ainda mais nociva do que a situação atual” para o partido, deixando claro que a viabilização de um governo de direita depende de “uma negociação clara, efetiva e transparente, com possibilidade e autonomia para a concretização de algumas das nossas grandes bandeiras”.

“Temos de ser capazes de construir um governo de transformação nacional sem ceder ao sistema, às negociatas dominantes nos dois principais partidos e sem medo de medidas fraturantes”, defende o fundador e deputado único do Chega. Até porque, em sua opinião, não existem “nenhumas garantias” de que uma governação social-democrata. mesmo contando também com o CDS-PP e a Iniciativa Liberal, venha a ser “substancialmente diferente” da que está a ser conduzida por António Costa.

A meta estabelecida no documento que será votado no congresso de 27 e 28 de novembro – após o Tribunal Constitucional dar razão ao Ministério Público, considerando que a convocatória para o congresso anterior continha ilegalidades que invalidaram as suas decisões – é a de que o Chega alcance entre 10% e 15% dos votos nas próximas legislativas, “tornando-o assim indispensável à formação e viabilização de um governo”. E realça que deverá ser tido em conta que “este sufrágio pode chegar mais depressa do que o expectável”, na sequência de uma crise política que derrube o atual executivo de António Costa.

No que toca às autárquicas, Ventura reconhece que não cumpriu a meta de elevar o Chega a terceira maior força política, mas destacou a eleição de 19 vereadores, 172 deputados municipais e 205 representantes em assembleias de freguesia, no que diz ser “um resultado extraordinário para um partido que tem apenas dois anos de existência”.

Para as autárquicas de 2025 a moção eleva a fasquia, apontando o Chega como um dos dois partidos mais votados. Algo que Ventura vê como a consequência de “quatro anos de trabalho” dos autarcas eleitos a 26 de setembro, o que passará pela “consolidação do eleitorado conquistado” mas também por “resistir às ofertas de outros partidos”.

No que toca à vida interna do Chega, a moção de Ventura dispensa “apelos de moderação ou menos intensidade de ação, quer devido aos clamores dos restantes partidos e direita ou esquerda, quer devido a um eventual receio de ilegalização”. E defende que a confiança dos eleitores dependerá da firmeza política do Chega, pois “para representar qualquer frouxidão política já cá estão há muitos anos o CDS e o PSD”.

Quanto à ameaça de ilegalização do partido, defendida na campanha presidencial de Ana Gomes, o fundador do partido defende que os militantes devem deixar claro que não aceitarão uma decisão nesse sentido do Tribunal Constitucional. “Este congresso deverá, pois, definir os termos e os modos de luta e resistência caso o sistema remeta o partido para a ilegalidade e para a clandestinidade”, diz.

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