A Mota-Engil sofreu uma forte pressão vendedora, entre meados de novembro e 30 de dezembro de 2025, levando a que o seu preço caísse sensivelmente 15% na bolsa portuguesa (índice PSI). Analistas, consultados pelo Jornal Económico (JE), adiantam que esta quebra se justifica pela fraqueza dos resultados apresentados no terceiro trimestre e também pela influência de short-sellers. As perspetivas de futuro estarão dependentes de fatores como a execução da carteira de encomendas, do cumprimento do seu plano estratégico, e da expansão nos mercados em que a organização está presente.
“A Mota-Engil é uma das cotadas mais voláteis da bolsa portuguesa e a correção registada neste período deve ser vista como um movimento natural e saudável para uma empresa que registou uma valorização muito forte no ano passado”, consideram os analistas da BA&N. Recorde-se que no espaço de um ano o preço das ações da construtora portuguesa subiu 82,8%.
O presidente da Maxyield, Carlos Rodrigues, adianta que esta quebra de 15%, verificada na construtora portuguesa, ocorreu fundamentalmente no mês de novembro.
“No final de dezembro a Mota-Engil apresenta uma cotação de fecho superior à verificada no termo do mês anterior, resultante de ligeira recuperação mensal. Isto é claro pela observação das figuras seguintes (que constam nos gráficos localizados em baixo), que também revelam uma forte volatilidade da cotação ao longo do ano”, explica Carlos Rodrigues.


“A ação atingiu máximos de 2025 no final de outubro e os resultados do terceiro trimestre, anunciados a 18 de novembro, não foram fortes o suficientes para justificar a manutenção da tendência de alta”, refere a BA&N.
O presidente da Maxyield assinala que a quebra ocorrida em novembro é “acentuada” e está ligada ao “fraco desempenho” empresarial, associado ao trading update (comunicação ao mercado por parte de uma cotada) apresentado ao mercado em 18 de novembro, relativo à atividade desenvolvida no terceiro trimestre de 2025.
“A informação ao mercado foi pouco entusiasmante, tendo provocado uma reação negativa dos investidores e quebra significativa da cotação da Mota-Engil”, adianta Carlos Rodrigues.
“Os rendimentos do terceiro trimestre de 2025 baixaram relativamente ao período homólogo do ano anterior e em termos acumulados anuais a receita apresenta uma quebra face ao ano anterior. Apesar da melhoria da margem de lucros antes de juros, impostos, depreciação, e amortização (EBITDA), os resultados (lucros) apresentam um acréscimo de 19% em 2025, sendo que os períodos trimestrais de 2024 geraram crescimentos de lucros a ritmo muito superior. Aliás, a informação divulgada em 27 de Agosto, relativamente ao primeiro semestre de 2025, já havia provocado uma reação negativa do mercado, face à fraca geração de receitas”, acrescenta o presidente da Maxyield.

Tendo em conta que as ações da construtora tinham mais do que duplicado nos 10 meses anteriores, muitos investidores “optaram por realizar mais-valias, o que gerou uma correção em torno de 25% até meados de dezembro”, assinalam os analistas da BA&N.
O presidente da Maxyield, Carlos Rodrigues, refere que assistiu-se a uma “importante” tomada de posições por short sellers (investidores que beneficiam com a descida no preço de uma ação), com “vendas a descoberto em percentagem superior a 0,5% do capital, declaradas nos meses de novembro e dezembro, atingindo 3,04% do seu capital” no final de 2025. “Este valor é considerável, tendo em consideração que o free float (percentagem de ações de uma empresa que estão disponíveis para negociação em bolsa) é de 25,4% que é um dos mais baixos do PSI (índice bolsista português)”, refere a Maxyield.
Apoiado em informação constante na CMVM o presidente da Maxyield sublinha que a atividade em torno dos interesses a descoberto relevantes “foi intensa no decurso de novembro tendo atingido no final deste mês 2,36%” do capital da Mota-Engil.
Além disso, Carlos Rodrigues sublinha que o preço-alvo, para os próximos 12 meses, que consta de plataformas como o Investing e o MarketScreen, possuem um preço médio de 5,53 euros, um valor que face à cotação que a construtora tinha no final de dezembro indica um potencial de valorização de 12%, “cujo valor é muito inferior” à evolução verificada ao longo do ano.

“Estamos perante uma situação de esgotamento da capacidade de forte crescimento da cotação, num contexto de regressão dos rendimentos e forte desaceleração do ritmo de aumento dos lucros. A grande proximidade entre a cotação e o preço alvo no último trimestre de 2025, reflete os fundamentais da sociedade e coincide com uma forte apetência pela venda a descoberto por short-sellers”, defende Carlos Rodrigues.
Os analistas da BA&N assinalam que o interesse dos short sellers na Mota-Engil “tem sido constante” nos últimos anos, algo que contribui para “aumentar a volatilidade” da ação, mas “sem conseguir demover” a trajetória de alta no médio prazo.
“A Mota-Engil atingiu lucros recorde nos primeiros nove meses de 2025 e uma carteira de encomendas igualmente em máximos, tendo também reiterado a meta do plano estratégico de atingir receitas de seis mil milhões de euros em 2026. Desenvolvimentos saudáveis que sustentam a história atrativa da Mota-Engil desde a entrada em funções do novo CEO (início de 2023)”, adianta a BA&N.
“A evolução das ações estará mais dependente da capacidade de a construtura executar de forma eficiente a sua carteira de encomendas, cumprir as metas do plano estratégico e continuar a expandir-se nos mercados que estão a crescer de forma mais célere (África e América Latina)”, consideram os analistas da BA&N.
A BA&N adianta também que para além dos fundamentais da Mota-Engil também será “determinante” a evolução do setor e a diversificação da atividade. “A recuperação de mais de 10% das ações desde os mínimos de dezembro está muito ligada ao bom momento do setor mineiro, que reflete a valorização expressiva de diversas matérias-primas, com destaque para os metais”, explicam os analistas da BA&N.
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