[weglot_switcher]

Mota-Engil sofreu com shortsellers e futuro está dependente da execução da carteira de encomendas

Entre meados de novembro e 30 de dezembro de 2025 o preço das ações da Mota-Engil caiu sensivelmente 15%. A descida é explicada pelos analistas, consultados pelo JE, pela fraqueza dos resultados do terceiro trimestre e também pela influência de short-sellers. O futuro está dependente da execução da carteira de encomendas, do cumprimento do plano estratégico, e da expansão nos mercados em que a construtora está presente.
Mota-Engil
13 Janeiro 2026, 07h00

A Mota-Engil sofreu uma forte pressão vendedora, entre meados de novembro e 30 de dezembro de 2025, levando a que o seu preço caísse sensivelmente 15% na bolsa portuguesa (índice PSI). Analistas, consultados pelo Jornal Económico (JE), adiantam que esta quebra se justifica pela fraqueza dos resultados apresentados no terceiro trimestre e também pela influência de short-sellers. As perspetivas de futuro estarão dependentes de fatores como a execução da carteira de encomendas, do cumprimento do seu plano estratégico, e da expansão nos mercados em que a organização está presente.

“A Mota-Engil é uma das cotadas mais voláteis da bolsa portuguesa e a correção registada neste período deve ser vista como um movimento natural e saudável para uma empresa que registou uma valorização muito forte no ano passado”, consideram os analistas da BA&N. Recorde-se que no espaço de um ano o preço das ações da construtora portuguesa subiu 82,8%.

O presidente da Maxyield, Carlos Rodrigues, adianta que esta quebra de 15%, verificada na construtora portuguesa, ocorreu fundamentalmente no mês de novembro.

“No final de dezembro a Mota-Engil apresenta uma cotação de fecho superior à verificada no termo do mês anterior, resultante de ligeira recuperação mensal. Isto é claro pela observação das figuras seguintes (que constam nos gráficos localizados em baixo), que também revelam uma forte volatilidade da cotação ao longo do ano”, explica Carlos Rodrigues.

Fonte: Cedido pela Maxyield
Fonte: Cedido pela Maxyield

 

Fonte: Maxyield
Fonte: Maxyield

“A ação atingiu máximos de 2025 no final de outubro e os resultados do terceiro trimestre, anunciados a 18 de novembro, não foram fortes o suficientes para justificar a manutenção da tendência de alta”, refere a BA&N.

O presidente da Maxyield assinala que a quebra ocorrida em novembro é “acentuada” e está ligada ao “fraco desempenho” empresarial, associado ao trading update (comunicação ao mercado por parte de uma cotada) apresentado ao mercado em 18 de novembro, relativo à atividade desenvolvida no terceiro trimestre de 2025.

“A informação ao mercado foi pouco entusiasmante, tendo provocado uma reação negativa dos investidores e quebra significativa da cotação da Mota-Engil”, adianta Carlos Rodrigues.

“Os rendimentos do terceiro trimestre de 2025 baixaram relativamente ao período homólogo do ano anterior e em termos acumulados anuais a receita apresenta uma quebra face ao ano anterior. Apesar da melhoria da margem de lucros antes de juros, impostos, depreciação, e amortização (EBITDA), os resultados (lucros) apresentam um acréscimo de 19% em 2025, sendo que os períodos trimestrais de 2024 geraram crescimentos de lucros a ritmo muito superior. Aliás, a informação divulgada em 27 de Agosto, relativamente ao primeiro semestre de 2025, já havia provocado uma reação negativa do mercado, face à fraca geração de receitas”, acrescenta o presidente da Maxyield.

Fonte: Maxyield
Fonte: Maxyield

Tendo em conta que as ações da construtora tinham mais do que duplicado nos 10 meses anteriores, muitos investidores “optaram por realizar mais-valias, o que gerou uma correção em torno de 25% até meados de dezembro”, assinalam os analistas da BA&N.

Empresa esteve sob pressão dos short sellers

O presidente da Maxyield, Carlos Rodrigues, refere que assistiu-se a uma “importante” tomada de posições por short sellers (investidores que beneficiam com a descida no preço de uma ação), com “vendas a descoberto em percentagem superior a 0,5% do capital, declaradas nos meses de novembro e dezembro, atingindo 3,04% do seu capital” no final de 2025. “Este valor é considerável, tendo em consideração que o free float (percentagem de ações de uma empresa que estão disponíveis para negociação em bolsa) é de 25,4% que é um dos mais baixos do PSI (índice bolsista português)”, refere a Maxyield.

Apoiado em informação constante na CMVM o presidente da Maxyield sublinha que a atividade em torno dos interesses a descoberto relevantes “foi intensa no decurso de novembro tendo atingido no final deste mês 2,36%” do capital da Mota-Engil.

Além disso, Carlos Rodrigues sublinha que o preço-alvo, para os próximos 12 meses, que consta de plataformas como o Investing e o MarketScreen, possuem um preço médio de 5,53 euros, um valor que face à cotação que a construtora tinha no final de dezembro indica um potencial de valorização de 12%, “cujo valor é muito inferior” à evolução verificada ao longo do ano.

Fonte: Cedido pela Maxyield
Fonte: Cedido pela Maxyield

“Estamos perante uma situação de esgotamento da capacidade de forte crescimento da cotação, num contexto de regressão dos rendimentos e forte desaceleração do ritmo de aumento dos lucros. A grande proximidade entre a cotação e o preço alvo no último trimestre de 2025, reflete os fundamentais da sociedade e coincide com uma forte apetência pela venda a descoberto por short-sellers”, defende Carlos Rodrigues.

Os analistas da BA&N assinalam que o interesse dos short sellers na Mota-Engil “tem sido constante” nos últimos anos, algo que contribui para “aumentar a volatilidade” da ação, mas “sem conseguir demover” a trajetória de alta no médio prazo.

“A Mota-Engil atingiu lucros recorde nos primeiros nove meses de 2025 e uma carteira de encomendas igualmente em máximos, tendo também reiterado a meta do plano estratégico de atingir receitas de seis mil milhões de euros em 2026. Desenvolvimentos saudáveis que sustentam a história atrativa da Mota-Engil desde a entrada em funções do novo CEO (início de 2023)”, adianta a BA&N.

Evolução da empresa dependente da execução da carteira de encomendas

“A evolução das ações estará mais dependente da capacidade de a construtura executar de forma eficiente a sua carteira de encomendas, cumprir as metas do plano estratégico e continuar a expandir-se nos mercados que estão a crescer de forma mais célere (África e América Latina)”, consideram os analistas da BA&N.

A BA&N adianta também que para além dos fundamentais da Mota-Engil também será “determinante” a evolução do setor e a diversificação da atividade. “A recuperação de mais de 10% das ações desde os mínimos de dezembro está muito ligada ao bom momento do setor mineiro, que reflete a valorização expressiva de diversas matérias-primas, com destaque para os metais”, explicam os analistas da BA&N.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.