O MSCI (Morgan Stanley Capital International) projeta um cenário de subida de 35% no preço do petróleo caso exista uma interrupção prolongada do Estreito de Ormuz, local que transporta cerca de um quinto do fornecimento global desta matéria-prima.
“Este é um dos riscos atuais: será que o conflito irá interromper o fluxo de energia através do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento que transporta aproximadamente um quinto do fornecimento global de petróleo?”, refere o MSCI.
Para o MSCI uma interrupção prolongada “poderá levar o preço do petróleo Brent para os 100 dólares por barril, reacendendo a inflação, congelando os cortes nas taxas de juro dos bancos centrais e prejudicando o crescimento”.
Como forma de avaliar o impacto potencial o MSCI aplicou um cenário de estagflação consistente com os seus mais recentes Cenários Macroeconómicos, mas com o petróleo como principal factor de aumento da inflação.
“Assumimos um aumento de 35% nos preços do petróleo para refletir uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz — gerando pressões estagflacionistas que elevam acentuadamente a inflação e os rendimentos dos títulos do Tesouro, fazem cair as ações norte-americanas em 13% e fortalecem o dólar norte-americano (com uma queda de 6% no euro). Dada a natureza do choque, tanto as ações como as obrigações estão sob pressão, enquanto as ações do sector energético podem beneficiar da subida dos preços do petróleo”, antecipa o MSCI. A projeção aponta para uma queda de 10% nas ações europeias. Nas yields das obrigações soberanas norte-americanas a 1 ano e a 10 anos é antecipada uma subida de 255 pontos e de 205 pontos. Quanto à inflação a 1 ano e a 10 anos pode subir 200 pontos e 100 pontos.
A mesma instituição diz ainda que a guerra com o Irão levanta questões aos investidores de diversos tipos de activos sobre a economia global, com o petróleo no centro. “A história é elucidativa nesse sentido. A nossa investigação sobre as quedas no mercado bolsista dos Estados Unidos desde 1946 mostra que as liquidações mais severas e prolongadas são quase sempre de natureza macroeconómica ou fundamental — e não surgem de choques geopolíticos isolados”, diz o MSCI.
A mesma entidade analisou sete conflitos no Médio Oriente com envolvimento dos Estados Unidos desde 1970, e verificou que em seis dos casos os mercados bolsistas recuperaram no espaço de um ano. “A única exceção foi a Guerra do Yom Kippur de 1973, onde um prolongado embargo petrolífero desencadeou a estagflação e uma recessão prolongada. Isto reforça uma importante lição histórica: as tensões geopolíticas são mais relevantes para os mercados quando se traduzem num choque macroeconómico”, referiu a MSCI.
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