“Muito mais do que uma economista”. O que ganha o BCE com a chegada de Lagarde?

Sábia, elegante e com um discurso acutilante. O estilo de Lagarde à frente do Banco Central Europeu será diferente do de Draghi, disseram especialistas ouvidos pela Bloomberg.

Christine Lagarde vai ser a primeira mulher a liderar o Banco Central Europeu e, segundo os especialistas, poderá trazer um estilo muito diferente de liderança. Ao contrário de Mario Draghi, a antiga diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), tem mais experiência política que o seu antecessor – fez parte do governo de Nicolas Sarkozy e, em 2009, o diário Financial Times considerou-a a melhor ministra das Finanças na Europa.

Com um discurso acutilante e um estilo elegante, nasceu há 63 anos em Paris e licenciou-se em Direito, tendo uma pós-graduação em Ciência Política. Tornou-se, em 2011, na primeira mulher a liderar o FMI, sucedendo a Dominique Strauss-Kahn, outro antigo ministro francês que se demitiu após ser alvo de acusações de agressão sexual contra uma empregada de um hotel nova-iorquino. “As suas competências podem ajudar a reparar a imagem dos banqueiros centrais”, disseram alguns analistas consultados esta noite pela agência Bloomberg.

“Ela é realmente uma figura política, muito mais do que uma economista”, considerou Alicia Levine, estratega da BNY Mellon Investment, à agência de notícias norte-americana. “Ela é muito política, muito sábia. E tem à disposição os melhores economistas que a podem ajudar”, acrescentou Alicia.

Os líderes da União Europeia viraram-se para a opção Christine Lagarde e o seu nome foi o mais consensual entre os 28 chefes de Estado e de governo europeus na cimeira extraordinária que decorre em Bruxelas. Jens Weidmann, do Bundesbank, e Francois Villeroy de Galhau, governador do Banco de França, eram outros nomes sonantes para ocupar o cargo.

Antes de Mario Draghi, o BCE teve como presidente o francês Jean-Claude Trichet e o holandês Wim Duisenberg.

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