Mundial, dia 1: Guedes e Bernardo para reforçar campeões da Europa

Há pouco mais de 24 horas, Lopetegui era o grande comandante da seleção espanhola. Agora já foi apresentado no seu Real Madrid, a Espanha está entregue a Fernando Hierro e é claro que a mudança é boa para Portugal

A abertura do Mundial correspondeu às expectativas: a Rússia, mesmo sem muito talento, estava a salvo de qualquer surpresa perante a frágil Arábia Saudita. Um ‘passeio’ que deu para uma mão cheia de golos. Muito bonitos quase todos, com destaque para o de Cheryshev, um russo ‘made in’ Espanha, ex-companheiro de Cristiano Ronaldo, formado no Real Madrid, onde não triunfou, apesar da qualidade que hoje, aos 27 anos, ainda mostra na selecção e no clube, o submarino amarelo de Villareal.

Em tributo à qualidade, no entanto, é mais justo salientar Golovin, o autor da folha seca que fechou a goleada de 5-0. Aos 22 anos, Golovin, médio do CSKA de Moscovo, foi o elemento mais destacado e deve ter visto subir muito a sua cotação, que à data de hoje está fixada em 18 milhões de euros pelo Transfermarkt. Depois deste jogo, já vale mais, certamente. Assim como a equipa da Rússia também passou a valer mais na bolsa das apostas. Está muito melhor do que quando perdeu com Portugal (0-1, golo de Ronaldo) na Taça das Confederações, faz agora um ano.

Para juízos definitivos, é aconselhável esperar por adversários capazes, o que não é o caso desta Arábia Saudita, a equipa com pior ‘ranking’ FIFA presente neste Mundial e à qual o treinador Juan António Pizzi – que como jogador passou rápida e discretamente pelo FC Porto, vindo do Barcelona, há mais de 20 anos – não conseguiu acrescentar muito desde Novembro, a data em que rendeu o compatriota Edgardo Bauza.

Servido o aperitivo, o primeiro grande jogo chega com o Portugal-Espanha (amanhã, sexta, 19 h).

E, a propósito, veja-se como o futebol, com as suas mudanças frenéticas, nos explica o funcionamento da vida. Há pouco mais de 24 horas, Lopetegui era o grande comandante da seleção espanhola. Apuramento imaculado, Itália nas boxes, equipa renovada e a legitimar todas as aspirações. Agora, Lopetegui já foi apresentado no seu Real Madrid, a Espanha está entregue a Fernando Hierro e é claro que a mudança é boa para Portugal. Mexe nas rotinas, na estabilidade, na boa relação que havia entre treinador e jogadores da equipa espanhola. Por muito pouco que mude, Hierro mudará sempre alguma coisa. Sobretudo, reagirá de forma diferente ao jogo. Substituirá diferente, escalará uma equipa diferente (no sentido em que haverá jogadores que pensarão que com Lopetegui talvez não tivesse sido bem assim…). Tudo isso é bom para uma equipa como a de Fernando Santos, cuja espinha dorsal é formado por homens experimentados em mil batalhas.

O que não mudará em Espanha é o modelo de jogo. Por isso, sabemos que Portugal defrontará uma equipa de futebol apoiado, dura a defender, capaz de manter as linhas juntas de princípio a fim se o jogo lhe correr de feição, com muita criatividade e capacidade de circulação de bola a meio-campo.

Portugal deve adaptar-se ao adversário. Gonçalo Guedes pode ser  importante nesta aproximação à táctica adequada. Tem mais mobilidade que André Silva. Pisa outros terrenos mas também sabe aparecer na área com critério. Marcou duas vezes no último teste, contra a Argélia. Conhece o futebol espanhol. Fez uma excelente temporada em Valência, apenas cortada por uma lesão.

Se Gonçalo Guedes for o escolhido para companheiro de Cristiano Ronaldo no ataque, como é previsível, embora sem descartar a hipótese de Quaresma, talvez que isso signifique que Bruno Fernandes não sentará João Mário no banco (pois o atual João Moutinho parece fixo). Duas mexidas na chamada ‘equipa-base’ não é coisa do agrado de Fernando Santos, um resultadista experiente. Este jogo, aliás, parece aconselhar João Mário de início. O jogador do Inter promove melhor circulação e mais equipa, enquanto Bruno Fernandes se salienta no jogo direto e nos desequilíbrios individuais.

Portugal tem todos os jogadores disponíveis e a equipa, cujas duas maiores dúvidas são as já referidas, não deve andar longe desta: Rui Patrício; Cédric, Pepe, José Fonte, Rafael Guerreiro; Bernardo Silva, João Moutinho, William Carvalho, João Mário; Gonçalo Guedes, Cristiano Ronaldo. Se for assim, só haverá duas mexidas na equipa campeã da Europa: entram Bernardo Silva e Gonçalo Guedes. Bons reforços!