“Não me resigno perante um PSD destituído de ambição”. Miguel Pinto Luz formaliza candidatura

Na formalização da candidatura à liderança dos social-democratas, Miguel Pinto Luz defendeu que é tempo de deixar liderar os protagonistas que “gostam do PSD” e rejeitou prestar qualquer tipo de “vassalagem” a outras forças políticas. “Não me conformo ao ver o PSD convalescente e a disputar o campeonato dos pequeninos. Esse não é o meu PSD”, sublinhou.

Cristina Bernardo

O vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais Miguel Pinto Luz anunciou esta segunda-feira que não se resigna perante um “PSD destituído de ambição” e vai lutar para reconquistar a confiança dos portugueses. Na formalização da candidatura à liderança dos social-democratas, Miguel Pinto Luz defendeu que é tempo de deixar liderar os protagonistas que “gostam do PSD” e rejeitou prestar qualquer tipo de “vassalagem” a outras forças políticas.

“Estou entre aqueles que não se resignam perante um PSD destituído de ambição e que apenas disputa os lugares intermédios da primeira liga da política nacional. Ambiciono um partido como antes o conheci, quando comecei a militar nele há mais de 25 anos. Um partido vencedor, relevante, dinâmico, inovador e capaz de mobilizar a sociedade portuguesa e chegar sempre mais alto e mais longe”, afirmou Miguel Pinto Luz, na apresentação da candidatura, que teve lugar no Pátio da Galé, em Lisboa.

Miguel Pinto Luz disse que não se identifica com um PSD “convalescente” e que disputa “a liga dos pequenos” e diz que a sua preocupação com o estado do partido aumentou após os resultados das eleições legislativas. O candidato indicou que desde as eleições legislativas de 2002, que o PSD não tinha um resultado tão baixo e que, nos últimos anos, “foi perdendo sistematicamente 12 pontos percentuais”.

O antigo líder da distrital do PSD/Lisboa considera que é tempo de novos protagonistas na liderança e pediu a quem não gosta do PSD para que ceda o lugar. “Eu não sei o que é gostar a 50%, 70% ou 80%. Ou se gosta do PSD ou não se gosta e quando se gosta não se tenta permanentemente diminuir o partido, concelhia a concelhia, distrital a distrital, apenas para se ter o partido à sua imagem. Quem não gosta do PSD que dê lugar a quem gosta”, referiu.

“Não me conformo ao ver o PSD convalescente e a disputar o campeonato dos pequeninos. Esse não é o meu PSD”, frisou Miguel Pinto Luz.

Considerando que “a política só faz sentido enquanto serviço público”, o ‘vice’ de Cascais salientou que a tarefa a que se propõe é a de “conduzir o PSD novamente a uma posição de confiança nacional” e que os adversários políticos do PSD não estão dentro, mas fora do partido. E salientou: “Não aceito um PSD obsessivo, virado para a querela interna, à procura de silenciar quem não pensa como nós. Temos de fazer desta, a casa de todos os que não concordam com o socialismo”.

“Infelizmente, a geringonça deixou marcas extremamente negativas. A fatura da governação socialista é pesada (…) O PS é um mau gestor, mas pior, é um péssimo decisor e governa em função dos seus interesses, das suas clientelas e das suas famílias em vez de ser para o bem nacional”, acusou.

“Quero um PSD unido contra os nossos adversários. E os nossos adversários não estão aqui. Estão lá fora. É um lugar-comum mas muitas vezes esquecemo-nos desse lugar comum”, sublinhou.

Aos jornalistas, Miguel Pinto Luz adiantou ainda que quer vencer as eleições e, “de preferência, à primeira volta”. “Hoje apresentei uma candidatura para ganhar as eleições internas, de uma forma muito clara e objetiva e dar um novo fôlego ao PSD, que é preciso”, indicou.

As eleições diretas para escolher o próximo presidente do PSD estão agendadas para dia 11 de janeiro, seguindo-se o congresso nacional entre 7 e 9 de fevereiro, em Viana do Castelo. Os estatutos do partido preveem que, em caso de nenhum dos candidatos conseguir a maioria absoluta dos votos, haja uma segunda volta. Tal deve ocorrer a 18 de janeiro.

Até agora, assumiram-se como candidatos à liderança o atual líder social-democrata, Rui Rio, o ex-líder parlamentar Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz. À corrida por vir a juntar-se também Miguel Morgado, ex-assessor de Pedro Passos Coelho, que está ainda a medir apoios para se poder candidatar e já começou a recolher as 1.500 assinaturas necessárias para entrar na corrida.

Miguel Pinto Luz conta com o apoio de vários notáveis do PSD como o ex-secretário de Estado José Eduardo Martins, o ex-secretário-geral do PSD José Matos Rosa, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, o presidente da distrital do PSD/Lisboa, Ângelo Pereira, e o presidente da distrital do PSD/Setúbal, Bruno Vitorino.

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