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NATO: acordo com Trump exige que aliados intensifiquem segurança no Ártico

O secretário-geral da NATO continua a tentar explicar o que resultou da inesperada reunião que manteve com Donald Trump ao final da tarde desta quarta-feira.
22 Janeiro 2026, 10h58

O acordo-quadro sobre a Gronelândia, firmado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigirá que os aliados da NATO intensifiquem os seus esforços de segurança no Ártico, e os primeiros resultados disso serão vistos ainda este ano, disse o secretário-geral da organização, Mark Rutte, à Reuters esta quinta-feira. Em entrevista concedida à margem do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, Rutte afirmou que cabe agora aos comandantes da NATO definir os detalhes das exigências adicionais de segurança e que tinha a certeza de que os aliados desejariam contribuir com esse esforço. Rutte tenta assim explicar a razão que o levou a reunir com Donald Trump e a tomar decisões sobre a Gronelândia, para as quais não está mandatado, como já chamou a atenção o governo dinamarquês. A ser esta a tomada de posição mantida no final do inesperado encontro, Trump deixou para segundo lugar o que tinha dito horas antes na sua intervenção em Davos: que a prioridade seria tomar posse da Gronelândia, uma vez que nenhum país faz investimentos maciços na segurança de outro país. Por outro lado, é conhecido que os membro europeus da NATO já disseram que estão disponíveis para aumentar a presença militar na Gronelândia.

“Vamos reunir na NATO com os nossos comandantes para definir o que é necessário”, disse Rutte, acrescentando: “Não tenho dúvidas de que podemos fazer isso muito rapidamente. Certamente, espero que seja em 2026, até mesmo no início de 2026.” Rutte afirmou que a exploração mineral não foi discutida durante seu encontro com Trump, acrescentando que as negociações específicas sobre a ilha ártica continuarão entre os Estados Unidos, a Dinamarca e a própria Gronelândia.

Questionado sobre se os aliados da NATO podem confiar na palavra de Trump, Rutte respondeu: “Pode confiar-se sempre na palavra de Donald Trump”.

Na quarta-feira, Trump afirmou que os EUA não usariam a força para concretizar a sua ambição de tomar posse da Gronelândia e, posteriormente, retirou a ameaça de impor tarifas adicionais a alguns dos aliados europeus de Washington (e membros da NATO) devido à questão.

Rutte também afirmou que o esforço no Ártico não drenaria os recursos destinados ao apoio à Ucrânia.

Ucrânia regressa à agenda

Sobre essa matéria, o enviado dos EUA, Steve Witkoff, disse esta quinta-feira que “foi feito muito progresso” nas negociações de paz. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chegou à Suíça para conversas com o o seu homólogo norte-americano, Donald Trump. Zelensky disse no início desta semana que não participaria no Fórum e que permaneceria em Kiev para se concentrar na crise energética na Ucrânia. E que ó viajaria para Davos se houvesse a oportunidade de assinar um acordo com Trump para resolver a guerra e onde estivessem incluídas garantias de segurança e financiamento para a reconstruçãono pós-guerra. Na quarta-feira, Trump anunciou que se encontraria com Zelensky em Davos, acrescentando que um acordo está “razoavelmente próximo”.

“Se ambos os lados quiserem resolver o assunto, vamos resolver”, disse Witkoff no Fórum. “Acho que fizemos muitos progressos.” Witkoff manteve conversas nos últimos dias com autoridades ucranianas em Davos, após discussões no fim de semana na Flórida. E deve viajar para Moscovo, juntamente com Jared Kushner, ainda na quinta-feira para conversar com o presidente russo Vladimir Putin.

Putin afirmou na noite de quarta-feira que discutiriam um acordo para a Ucrânia e a possibilidade de usar ativos russos congelados no exterior para a reconstrução, bem como a proposta de Trump para um Conselho de Paz, em que Putin está interessado.

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