Negócios no ‘Little Portugal’ de Londres começam a desconfinar

Com a nova fase de desconfinamento em Inglaterra, os cabeleireiros reabriram hoje e o português Miguel Horta já tem as próximas seis semanas lotadas no seu salão em Londres.

“Fico feliz porque estamos cheios até maio, o que é muito bom. Estava à espera de um ‘boom’ inicial, mas não uma coisa tão forte. Aqui [está cheio] até 22 de maio, no outro salão até junho ou julho”, disse Horta à agência Lusa.

O estabelecimento “Le Salon”, em pleno ‘Little Portugal’, em Stockwell, no sul da capital britânica, é popular tanto entre portugueses como entre locais de outras nacionalidades, e atende homens e mulheres.

O primeiro cliente esta manhã foi Tom, um residente local, que marcou o corte de cabelo em fevereiro, quando foi feito o anúncio do plano de desconfinamento.

“Já estava fora de controlo há vários meses. Tenho tido muitas pessoas a gozarem comigo no trabalho e nas videochamadas. Marquei muito cedo, assim que foi feito o anúncio. Eu sabia que o Miguel ia ser bastante requisitado, e tenho um dia cheio, por isso quis tratar disto cedo”, afirmou o britânico.

As medidas de segurança são rigorosas: além do uso de máscara e desinfeção das mãos, a temperatura do cliente é verificada à entrada e a roupa esterilizada com uma lâmpada ultravioleta.

O proprietário disse ainda que os horários são coordenados para que “os clientes não tenham os apontamentos [marcações] todos à mesma hora”, para haver um intervalo que permita desinfetar utensílios e cadeiras.

Na zona, vários outros cabeleireiros e salões de beleza também estava cheios e alguns tinham filas à porta, à semelhança de outras lojas no centro de Londres, nomeadamente de roupa.

Além do comércio não essencial, também reabriram os tradicionais ‘pubs’, cafés e restaurantes, mas apenas nos espaços exteriores, como esplanadas.

Apesar de ainda estar frio, Ana e Sofia aproveitaram uns raios de sol para beber um café e conversar numa mesa à porta do Grupo Desportivo Cultural, também em Stockwell.

“Há tempo que a gente está em casa sem fazer nada, é bom para ver os amigos e, pelo menos, para distrair um pedacinho”, disse Sofia, que celebra hoje o aniversário, mas sem exageros.

“É mesmo só beber o cafezinho e vou para casa, não vou para ‘shops’ [lojas] nem nada disso. Ainda por cima as pessoas vão entrar em stress, em filas, e com crianças e tudo não dava”, explicou.

Para a mãe, Ana, a frequência do café é não só uma questão cultural, mas também uma questão de saúde mental.

“O cafezinho tem de estar sempre em cima da mesa, seja de manhã, depois do almoço ou à tarde. É a nossa cultura. E a convivência com as pessoas, também é muito importante”, vincou.

Na zona, os restaurantes portugueses sem espaços no exterior continuam fechados.

A próxima etapa do desconfinamento está prevista para 17 de maio, quando será possível aos cafés e restaurantes servirem no interior também, mas o alívio das restrições só será confirmado uma semana antes, dependendo de a curva epidémica continuar em queda e sob controlo.

O Reino Unido é o país europeu com maior número de mortes, mais de 127 mil desde o início da pandemia de covid-19, mas é também o mais avançado em termos de vacinação.

Até sábado tinham sido imunizadas mais de 32 milhões de pessoas, das quais 7,5 milhões com a segunda dose.

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