Netflix dos ricos chega pelas mãos do ex-presidente da Ticketmaster

Amazon, Disney+, HBO, Netflix são as plataformas de streaming em competição. No entanto, Fred Rosen e Dan Fellman decidiram criar uma plataforma para a elite ver os filmes a partir das suas próprias casas.

A ideia levou anos até estar em perfeita sintonia com o pretendido pelos seus criadores, mas este cinema só é para quem tem os bolsos fundos.

Existe uma cadeia cinematográficas de salas de luxo nos Estados Unidos da América, onde servem o jantar enquanto o espectador vê o filme em assentos reclináveis de couro, cobertos com um cobertor e sem sapatos, garante o ‘El Mundo’. Ainda que o bilhete para esta sala custe 35 dólares (31 euros), a novidade não é esta.

O ex-presidente da Ticketmaster, Fred Rosen, em conjunto com Dan Fellman, produtor de Hollywood, criaram um conceito milionário bastante semelhante à Netflix. O ‘Red Carpet Home Cinema’ é uma experiência para a elite, em que lhes permite alugar um filme durante a época de estreia por um valor entre 1.500 dólares (1.334 euros) e três mil dólares (2.668 euros).

Os clientes devem dispor de um cartão de crédito com um limite de 50 mil dólares, além de terem de dispor de uns adicionais 15 mil para a instalação de um acessório que permite a conexão ao sistema de entretenimento. Este acessório é supervisionado por técnicos e tem um controlo de segurança que impede pirataria.

Depois da instalação do material, o preço do aluguer depende dos filmes em questão. No exemplo do ‘El Mundo’, o aluguer de ‘A Forma da Água’ do produtor Guillermo del Toro e de ‘Aquaman’, ligado à banda desenhada da DC Comics, teria um custo de três mil dólares (2.668 euros) durante 36 horas.

Segundo o mesmo jornal, o objetivo de Rosen e Fellman não é angariar subscritores em massa, como as plataformas de streaming já existentes. Com pouco menos de quatro mil associados, a dupla consegue gerar 300 milhões de dólares (266 milhões de euros) por ano, já com um contrato com diversos estúdios que lhes permite o aluguer de 40 filmes anuais. A Paramount, Warner Brothers, Annapurna Pictures, 20th Century Fox e Fox Searchlight, agora ambos propriedade da Walt Disney.

“Não estamos à procura de dez mil pessoas”, esclareceu Rosen numa entrevista ao ‘Times’, onde diz que cerca de 46 mil americanos ganham dois milhões de dólares (1.779 euros), ou mais, por ano. Estes eram valores suficientes para Silicon Valley e executivos de Wall Street equilibrarem as contas.

Esta proposta pode encurtar o tempo de vida dos filmes nas salas de cinema, uma vez que se está a observar uma clara mudança na indústria com estas plataformas. O ano passado, a plataforma Netflix esteve no centro de um debate devido à estratégia do filme ‘Roma’ de Alfonso Cuarón, que foi para alguns cinemas durante três semanas antes de ser disponibilizado na plataforma.

Ainda assim, com esta nova plataforma para a elite e com as novas plataformas de streaming que continuam a surgir, não parece que o modo tradicional como se consomem filmes esteja a chegar ao fim. A CinemaCon de 2019 chegou à conclusão que o modelo tradicional e o streaming podem co-existir, e a prova foi os 11,9 milhões de dólares (10,6 milhões de euros) que a bilheteira dos Estados Unidos da América lucraram durante o ano passado.

 

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