Nigel Farage tenta instituir o Dia Nacional do Brexit

O primeiro-ministro Boris Johnson tem-se mantido afastado de qualquer polémica – nem sequer comentou o caso dos duques de Sussex – para não criar tensões nesta reta final do Brexit. Só o caso da Escócia foi exceção.

Dylan Martinez/Reuters

Depois da normalização do processo do Brexit – a seguir às eleições de 12 de dezembro passado – um dos mais veementes apoiantes da saída do Reino Unido da União Europeia, Nigel Farage, antigo presidente do UKIP (de extrema-direita) e fundador do Partido Brexit, já conseguiu o exclusivo da presença dos seus apoiantes na praça em frente ao Parlamento britânico-

A ideia é, na noite de 31 de janeiro, a organização de uma espécie de festa de despedida que promete ser o mais ruidosa e bem-disposta possível – como se a data representasse (e por certo representa para alguns) o regresso a uma indpendência que estava em suspenso desde que o Reino Unido entrou na União.

O movimento de Farage promete intervenções políticas, mas também um festival de música e, se possível, sinos das igrejas a tocar numa momento aprazado e em conjunto para fechar em grande o não menos grande dia. Dizem os ‘mentideros’ que Farage não descarta a hipótese de se bater para que 31 de janeiro passe a ser um novo feriado nacional, precisamente para perpetuar a celebração do regresso das independência.

O grupo ‘Leave Means Leave’ disse que foi bem-sucedido em seu pedido de ocupação da Praça do Parlamento, em frente à Câmara dos Comuns, na noite da saída do Reino Unido da União Europeia.

“Estou muito satisfeito por confirmar que o Leave Means Leave garantiu a aprovação das autoridades para a celebração do Dia do Brexit no Parlamento em 31 de janeiro”, disse Richard Tice, presidente do Partido Brexit. “Ainda estamos a trabalhar no Big Ben para o fogo de artifício!”, concluiu

Entretanto, o primeiro-ministro Boris Johnson tem vindo a adotar uma postura cada vez mais discreta em termos de política interna – enquanto no ponto de vista externo tem mostrado envolvimento na questão do conflito entre o Irão e os seus parceiros europeus. Segundo os jornais britânicos, a intensão do primeiro-ministro é não fazer ‘ondas’ até que o processo do Brexit seja concluído.

Normalmente expansivo e pouco dado a pensar antes de responder a qualquer pergunta, Johnson nem sequer quis comentar o caso dos duques de Sussex – que está a ser um ‘must’ em Inglaterra e em quase toda a Europa.

A última vez que Johnson se pronunciou publicamente sobre um assunto ‘sério’ foi, como todos esperavam, para rejeitar o pedido da primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, para que o território possa realizar uma nova consulta sobre a independência em 2020. “Eles prometeram que o [resultado do] referendo de 2014 seria para toda uma geração”, recordou Johnson lembrou Sturgeon.

Mas Sturgeon, que é também líder do Partido Nacional Escocês (SNP), disse que o referendo ao Brexit (rejeitado por 62% dos habitantes desse território) mudou as regras do jogo: modificou drasticamente as circunstâncias, porque uma das razões pelas quais os escoceses foram convencidos a permanecer no Reino Unido foi precisamente a ameaça de que a independência os colocaria fora da União Europeia.

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