O general nigeriano Lucky Irabor adiantou esta quinta-feira, sem dar quaisquer detalhes, que o líder do denominado Província do Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP), Abu Musab al-Barnawi, está morto. A ISWAP, que segundo a agência Reuters não quis comentar a notícia, é considerado o grupo jihadista mais forte a operar na Nigéria e a partir dela desde a morte do líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, no início deste ano.
Recorde-se que, desde a morte de Shekau, milhares de combatentes do Boko Haram renderam-se aos militares nigerianos, o que também terá acontecido com membros da ISWAP – que entretanto se manteve ativa desde então.
Al-Barnawi, nascido Habib Yusuf, era, sem que haja certezas, o filho mais velho do fundador do Boko Haram, Mohammed Yusuf. Era considerado relativamente moderado – talvez em comparação com os seus companheiros – evitando a radicalidade do Boko Haram, como o uso de crianças-bomba suicidas e a perseguição indiscriminada de muçulmanos não radicais.
Após a morte do pai sob custódia policial em 2009, Shekau foi nomeado o novo líder do grupo. Nesse papel, e assumindo-se como porta-voz do Boko Haram, entrou frequentemente em confronto com Shekau e com outros líderes do topo do grupo, tendo acabado por desertar para o grupo Ansaru, um ramo do Boko Haram com laços com a Al-Qaeda. Ao mesmo tempo, Shekau alinhou o Boko Haram com o Estado Islâmico a partir de 2015 – tendo por este sido nomeado líder da insurgência nigeriana.
Em resultado das lutas internas, acabaram p0or formar-se dois grupos, a ISWAP e o Boko Haram, que apesar de colaborações esporádicas, passaram também por fases de confrontação direta. A ISWAP acabou por ser a fonte da notícia da morte, em maio passado, de Shekau – que, num confronto entre os dois grupos, terá optado por detonar um colete suicida em vez de se render.
Sob a liderança de Barnawi, a ISWAP, novamente rendido aos ‘encantos’ do Estado Islâmico, obteve ganhos territoriais no norte da Nigéria e em toda a Bacia do Chade, durante os últimos anos, atuando também no Burkina Faso, Camarões, Chade, Níger e Mali.
Com a sua morte, a Nigéria conta com o desmembramento do grupo insurgente e com o fim das hostilidades jihadistas, mas o histórico dos combates e a sua persistência indicam que essa eventualidade está demasiado longe da realidade.
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