Nomeados por Centeno, quatro membros do Conselho Consultivo do BdP colocaram o seu lugar à disposição

Nomeados em 2017, João Talone, Francisco Louçã, Murteira Nabo e Luís Nazaré anunciaram, por escrito, quererem dar liberdade ao novo ministro das Finanças para escolher quem entender para o órgão consultivo.

Cristina Bernardo

Depois de terem sido nomeados por Mário Centeno, em 2017, os quatro membros do Conselho Consultivo do Banco de Portugal (BdP) colocaram o lugar à disposição do atual ministro das Finanças.

De acordo com a notícia avançada pelo “Público”, esta quinta-feira, João Talone, Francisco Louçã, Murteira Nabo e Luís Nazaré comunicaram a João Leão a sua intenção de abandonarem as funções, o que deram também a conhecer ao BdP, com a finalidade de dar espaço ao novo ministro para poder escolher pessoas da sua confiança.

O primeiro a informar que pretendia deixar de integrar o Conselho Consultivo foi João Talone que escreveu ao atual ministro das Finanças que, tendo sido nomeado por decisão do Conselho de Ministros, mas por indicação de Mário Centeno, e na medida em que este deixara o cargo, entendia que deveria ser dada oportunidade ao novo ministro de escolher os nomes que considerasse adequados para a função.

Francisco Louça e João Talone manifestaram ambos, por escrito, uma outra preocupação sobre como decorrem as reuniões do Conselho Consultivo, onde, e ainda que tudo ali possa ser debatido, nada fica registado, pois não se produzem actas.

Por seu turno, Luís Nazaré, que já esta semana notificou João Leão de que colocava igualmente o lugar à sua disposição, esclareceu qual foi o propósito: “Dar margem ao Governo para fazer as nomeações que entender, pois são da sua escolha.”

Além disso, fala-se ainda em “potencial conflito de interesse”. Com Mário Centeno a caminho do cargo de governador do BdP, o facto de terem sido nomeados por Centeno enquanto exercia funções de ministro e nomeador, poderá levantar dúvidas. Ouvidos pelo “Público”, Louçã, Talone e Nazaré são unânimes a garantir que Centeno “manteve o distanciamento necessário”.

Mário Centeno foi ouvido esta quarta-feira pela Comissão de Orçamento e Finanças, numa audição obrigatória no processo de nomeação para o cargo de governador do BdP. Apesar de apenas o PS estar a favor da nomeação, Centeno afirmou sentir-se “qualificado, motivado e apoiado” para ocupar o cargo de governador, rejeitando a possibilidade de conflitos de interesse.

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