Nos últimos meses temos assistido a uma alteração da ordem mundial a todos os níveis. A ordem política, económica e social mudou. Os EUA e a China estão em competição aguerrida para serem os primeiros a dominarem a Inteligência Artificial. Cada bloco económico está a investir tudo o que pode para atingir a ‘Super’ Inteligência Artificial. Sejam chips, centros de dados, compra de centrais nucleares ou energia, temos uma corrida a uma nova ordem económica mundial.
Nesse sentido, os EUA estão a adquirir participações minoritárias em empresas que consideram estratégias para conseguirem manter a sua hegemonia mundial. Os Estados Unidos sempre lideraram na tecnologia, militar e internet, e a manutenção desta liderança é essencial para que o dólar se mantenha como moeda de reserva mundial. A compra de participações nas indústrias de chips, defesa e agora nas empresas de quantum sinalizam que os EUA querem manter a tecnologia americana e não querem que esta nova tecnologia seja partilhada ou adquirida por outros Estados.
A Europa continua a dormir e não tem empresas que consigam concorrer na área dos chips, cibersegurança, software, centros de dados ou empresas ligadas à tecnologia quantum. Há anos que a Europa devia ter percebido que não ia conseguir entrar neste espaço e devia ter adquirido participações substanciais em empresas como a Meta, dona do Facebook, Microsoft, Aphabet, Nvidia, AMD, etc. Ao não participar nesta alteração mundial, a Europa vai continuar dependente e arrisca-se a tornar-se um museu para sempre.
Mais. O setor mineiro, fundamental a esta expansão da IA é completamente descurado em Portugal e na Europa, levando a outra dependência. Neste momento, a Europa tenta um acordo para obter matérias raras com a China. É um absurdo que, com tanta riqueza mineral na Europa, continuemos dependentes de terceiros para crescer. É claro que numa guerra pela ordem económica os países que têm esses recursos podem interromper o fornecimento como forma de pressão ou de atrasar o crescimento dos seus rivais. Os EUA já compreenderam e estão a agir – investindo em IA, em minerais, setor elétrico – capacidade de expansão a economia digital. Estamos perante a criação de uma nova ordem mundial e a Europa continua de fora!



