Nova Rota da Seda é oportunidade para as empresas portuguesas

Ana Paula Vitorino considera que a Economia do Mar é uma nova oportunidade para Portugal se globalizar e prosperar, 500 anos depois. E fala das pescas, dizendo que a sustentabilidade na gestão dos recursos é a matriz portuguesa, para continuar.

Em entrevista ao Jornal Económico, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, aponta a participação no projeto da Nova Rota da Seda Marítima, desenvolvida pela China, um dos mais representativos projectos globais e uma ambição. “Está nas nossas mãos ter foco, conquistar as oportunidades e criar riqueza sustentável com a economia azul”, defende.

Que oportunidades podem as empresas portuguesas aproveitar na Nova Rota da Seda Marítima?

A Nova Rota da Seda Marítima é um dos projetos globalizadores do comércio mundial no século XXI, conferindo oportunidades empresariais que têm tanto de atrativas, como também de exigência na conquista de um bom posicionamento na sua cadeia de valor. Na minha visita à China, em novembro de 2017, o governo chinês indicou de forma clara que o desenvolvimento da Nova Rota da Seda Marítima é para se realizar de forma integrada com o da economia azul. Ou seja, ao longo da Rota, o objetivo é desenvolver a produção e o comércio da economia do mar, que assim vem rentabilizar o investimento infraestrutural portuário e logístico chinês ao longo da Rota. Portanto, as empresas portuguesas devem posicionar-se não só como parceiras na construção, mas também como parte do ecossistema comercial da Nova Rota da Seda Marítima, na aquacultura, no GNL marítimo, nas energias renováveis, no digital marítimo e sectores afins. É uma questão de tempo até à Nova Rota da Seda Marítima ter uma derivação que siga a Rota do Cabo, com ramificações no Atlântico, assumindo o Porto de Sines um papel relevante nesta dinâmica. É preciso sublinhar que o português é a terceira língua mais falada no Atlântico Sul e a segunda na África subsaariana.

Com efeito, 500 anos depois, o mar está a dar a Portugal uma nova oportunidade para se globalizar e prosperar. Está nas nossas mãos ter foco, conquistar as oportunidades e criar riqueza sustentável com a economia azul.

Que política está a ser desenvolvida na área das pescas?

A sustentabilidade na gestão dos recursos é a nossa matriz. Registe-se que, no Atlântico Nordeste, área em que Portugal se inclui, considera-se que, dos recursos com quota, 70% dos recursos está a ser explorado de forma sustentável.

Temos dado a maior atenção à gestão da sardinha visando a recuperação do recurso. Conseguimos afastar a pesca zero e estamos a permitir um esforço de pesca em linha com a recuperação sustentável do recurso. Estamos, através do IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera], a desenvolver projetos que permitam melhorar o enquadramento científico da gestão, estamos a iniciar experiências em aquicultura e a reforçar o conhecimento dos impactos das alterações climáticas.

Na aquicultura fizemos aprovar um novo regime de licenciamento reduzindo os prazos para licenciamento a 3 meses e com um único interlocutor. Já foram emitidos 17 novos títulos de atividade neste novo regime.

A produção, em 2016, aumentou 39,9% em valor, por comparação com 2015, atingindo os 72,2 milhões de euros, sendo de destacar a produção de ostra e outros bivalves.

O financiamento foi outra das prioridades. O Programa Operacional Mar2020, que começou com dois anos de atraso, está atualmente com 59,4% de compromisso e 21,3% de taxa de execução. Todas as medidas deste programa estão em velocidade de cruzeiro, sendo Portugal dos Estados-membros com melhor taxa de execução.

Salienta-se ainda e dinâmica da indústria de pescado com um aumento das exportações de 11% relativamente a 2016, atingindo 1086.8 milhões de euros. Já aprovámos projetos que representam mais de 100 milhões de euros de investimento, que vão criar mais 246 postos de trabalho diretos, a acrescer aos atuais 7.148 trabalhadores.

O preço médio de venda do pescado em primeira venda descarregado em lota atingiu os 2,23 euros por quilo, o valor mais elevado desde 1969 – quando foi o início da série histórica –, representando um aumento no preço médio de 6,5% relativamente a 2016 e 23% face a 2015.

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