Avô e neta fundaram a Albuquerque Foundation, para que todos possam fruir de uma das mais importantes coleções privadas do mundo de porcelana chinesa de exportação. Renato de Albuquerque reuniu mais de 2.600 peças ao longo de 60 anos, sendo a mais antiga do século XX A.C. O colecionador brasileiro comprou a primeira peça de cerâmica chinesa num leilão, em São Paulo, a qual tinha uma fissura na parte de trás. Alguém diria que, para primeira peça de uma coleção, tal “detalhe” não augurava nada de bom.
Pelo contrário, foi a centelha que levou Renato de Albuquerque a iniciar aquela que hoje é considerada como uma das coleções mais relevantes de porcelana de exportação das dinastias Ming e Qing. Razão de peso para instituições culturais de renome terem solicitado peças suas para integrar exposições um pouco por todo o mundo. O Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque, ou o Victoria & Albert em Londres, são apenas dois deles.
Mariana Teixeira de Carvalho, neta e cofundadora da Albuquerque Foundation, tomou em mãos a missão de levar este projeto a bom porto. O resultado está à vista desde 22 de fevereiro, quando a casa de família, numa quinta histórica de Sintra, foi transformada em museu. Aquando da inauguração, Mariana Teixeira de Carvalho foi assertiva quanto à ambição do projeto. “A Fundação nasce para mostrar, cuidar e preservar a Coleção Albuquerque, mas não só, nasce como uma homenagem à cerâmica”.
Mais do que um ‘museu de porcelana’, a Albuquerque Foundation quer posicionar-se como um espaço de diálogo cultural e artístico. A porcelana, amiúde associada a ambientes formais, terá aqui uma abordagem contemporânea que permita resgatar e reinterpretar esta arte milenar. A par de um espaço dedicado à arte contemporânea, sem abdicar de, através dela, se fazerem pontes entre passado e presente.
Paralelamente às exposições atuais – Connections, que apresenta peças da Coleção Albuquerque e explora as ligações históricas entre Oriente e Ocidente através da cerâmica, e Goods, da artista Nina Beier, que questiona os sistemas de valor e circulação de objetos – a Fundação desenvolve uma programação de fim de semana para públicos de todas as idades. Nomeadamente, atividades que promovem o bem-estar, a criatividade e o diálogo com as obras expostas.
Em novembro, a agenda traz novas propostas:
Apresentação do projeto Sementes da artista Maya Kempe
8 e 15 de novembro, das 15h às 16h
Conversa sobre a pesquisa em desenvolvimento de Maya Kempe, e apresentação de um conjunto escultórico de sementes em cerâmica, resultado de um processo de investigação e observação de campo, em diálogo com o jardim da Fundação.
Preço: 10 € (inclui entrada no museu)
Oficina de Ikebana com Tamara Frangoni
16 de novembro, das 15h às 17h
A arte japonesa de arranjos florais, em diálogo com a estética das peças expostas.
Preço: 40 € (inclui entrada no museu)
Oficina de Escrita Criativa com Diana Almeida
22 de novembro, das 15h às 17h
Oficina de escrita criativa em torno de figuras sagradas.
Preço: 20 € (inclui entrada no museu)
Palestra Porcelanas à Vista com Maria Lino Bello
22 de novembro, das 15h às 17h30
Os bastidores da receção e acondicionamento da Coleção Albuquerque nas reservas da Albuquerque Foundation.
Preço: 18 € (inclui entrada no museu)
Qi Gong com Marta Horta
23 de novembro, das 10 h às 11h15
Prática somática e meditativa chinesa que une movimento e respiração.
Preço: 10 € ou 15 € (com entrada no museu)
Visita de Arquitetura com Heloisa Vivanco
29 de novembro, das 15h às 17h
Visita guiada de arquitetura, museologia e paisagem na Albuquerque Foundation.
Preço: 10 € (inclui entrada no museu)
Todas as atividades têm custo associado, variável consoante a proposta, e requerem reserva antecipada através dos canais da Fundação.
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