Novo confinamento geral? Especialistas, partidos e parceiros sociais reúnem-se hoje no Infarmed

A reunião do Infarmed, em vésperas de um provável agravamento das restrições devido ao aumento de casos de infeção, será essencial para determinar encerramento das escolas e condições de campanha para as presidenciais. Depois de ter testado positivo à Covid-19, o Presidente da República foi obrigado a cancelar a agenda, incluindo a ronda de audições aos partidos.

Especialistas, dirigentes políticos e parceiros sociais vão reunir-se esta terça-feira para analisar a situação epidemiológica da Covid-19, na sede do Infarmed, em Lisboa. A reunião decorre em vésperas de um provável agravamento das restrições, devido ao aumento de novos casos de infeção, e será essencial para decidir sobre o encerramento das escolas e as condições de campanha para as presidenciais.

O primeiro-ministro, António Costa, admitiu, no final da reunião do Conselho de Ministros da passada quinta-feira, que o Governo está a ponderar um eventual agravamento das restrições, incluindo a hipótese de um novo confinamento geral, mas sublinhou que iria esperar pela reunião do Infarmed, para serem conhecidos os dados e recomendações dos epidemiologistas que têm acompanhado a evolução da pandemia.

A reunião está marcada para as 10h00 na sede do Infarmed, em Lisboa. Desta vez, o gabinete do primeiro-ministro convidou para estarem presentes na reunião, não só os líderes de partidos políticos e parceiros sociais, mas também os candidatos à Presidência da República (à exceção de Vitorino Silva), porque as conclusões dos epidemiologistas serão essenciais para perceber como irá decorrer o período de campanha e o dia de votações.

A campanha eleitoral arrancou no domingo e irá estar nas ruas até 22 de janeiro. Com as eleições marcadas para dia 24 de janeiro, os sete candidatos presidenciais (Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Gomes, Marisa Matias, João Ferreira, André Ventura, Tiago Mayan Gonçalves e Vitorino Silva) já adaptaram a campanha e poderão ser “forçados” a alterar ainda mais os planos, caso o estado de emergência venha a ser prolongado até ao final de janeiro.

O encerramento das escolas é outra das questões que deverá ser decidida pelo Governo, após serem ouvidos os especialistas do Infarmed. Segundo a ministra da Saúde, Marta Temido, “o encerramento das escolas trouxe consequências” para os alunos e, por isso, a decisão de fechar ou não as escolas tem que ser avaliada, consoante aquilo que forem as recomendações dos epidemiologistas e as entidades ligadas ao setor.

Esta segunda-feira, Portugal registou um novo máximo de vítimas mortais por Covid-19. O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) indica que, até esta segunda-feira, foram confirmados mais 5.604 casos de infeção pela Covid-19 e foram registadas mais 122 vítimas mortais. Ao todo, Portugal conta já com um total de 489.293 casos confirmados de Covid-19 e 7.925 vítimas mortais.

Marcelo cancela audição dos partidos após testar positivo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, iria esta terça-feira, assim que terminasse a reunião do Infarmed, proceder a uma nova ronda de audições aos partidos com representação parlamentar sobre a possibilidade de vir a ser renovado o estado de emergência. No entanto, depois de ter testado positivo à Covid-19 esta segunda-feira, “cancelou toda a agenda para os próximos dias”.

A eventual renovação do estado de emergência para dar cobertura jurídica às medidas restritivas que o Governo deverá anunciar ainda esta semana para travar os contágios continuará, porém, a estar em cima da mesa. Na passada sexta-feira, entrou em vigor um estado de emergência mais curto (de apenas oito dias, ao invés dos habituais 15), para que não houvesse um “vazio” legal até serem ouvidos os epidemiologistas na reunião do Infarmed. Esse estado de emergência estará em vigor até dia 15.

Especialistas pedem estado de emergência até final de janeiro

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