Nuno Artur Silva: Ex-administrador da RTP e fundador da Produções Fictícias vai para secretário de Estado

Nuno Artur Silva assume funções governamentais, pouco mais de um ano depois de ter deixado a administração da RTP por alegado conflito de interesses. A sua nomeação é uma das maiores surpresas na equipa do novo Governo.

O fundador das Produções Fictícias (PF) e antigo administrador da RTP, Nuno Artur Silva, foi nomeado para assumir o cargo de secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media –  integrado no Ministério da Cultura -, de acordo com a lista de secretários de Estado aprovada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esta segunda-feira, 21 de outubro.

Este Governo vai contar com dois secretários de Estado no Ministério da Cultura , com Ângela Ferreira a tutelar o Património Cultural e Nuno Artur Silva a ficar com a pasta do Cinema, Audiovisual e Media. Esta última secretaria é uma das novidades, tendo sido criada agora para o XXII Governo Constitucional.

Nuno Artur Silva entra no Executivo e fica a tutelar a RTP, a empresa pública de onde foi afastado da administração pelo Conselho Geral Independente.

Nuno Artur Silva, conhecido empresário do sector de media, argumentista, produtor e escritor, foi o nome para integrar o ministério tutelado por Graça Fonseca. Aos 57 anos de idade, Nuno Artur Silva entra no Executivo e fica a tutelar a RTP, a empresa pública de onde foi afastado da administração pelo Conselho Geral Independente (CGI), por alegado conflito de interesses.

O afastamento de Nuno Artur Silva da RTP, em janeiro de 2018, foi justificado pelo CGI, órgão que supervisiona a administração da estação pública, sustentando que a sua continuidade era “incompatível com a irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados, cuja manutenção não é aceitável”.

Aquando do seu afastamento da RTP, mais de 200 personalidades da cultura e dos media questionaram o governo de António Costa num abaixo-assinado, contra a decisão do CGI. O CGI revelou, ainda, “não ter verificado que isso [alegada incompatibilidade] tenha sido lesivo da empresa [a RTP], no decurso do seu mandato”.

Na origem da saída de Nuno Artur Silva da administração do canal público esteve a ligação entre a sua posição na RTP “e os seus interesses patrimoniais privados”. A análise e intervenção da CGI foi suscitada depois de ter sido noticiado a existência de alegados negócios suspeitos com as séries da RTP, o que motivou uma onda de contestação da Comissão de Trabalhadores da estação pública.

A presença de Nuno Artur Silva, fundador e um dos proprietários da Produções Fictícias, na administração da RTP nunca foi consensual. Logo no início do seu mandato, em fevereiro de 2015, a sua entrada no canal público gerou polémica, uma vez que a PF era há muito anos fornecedora de conteúdos da televisão pública.

Contudo, o CGI reconheceu o papel de Nuno Artur Silva entre 2015 e 2018 na reconfiguração estratégica da política de conteúdos da RTP, “tarefa que desempenhou de modo altamente meritório e sucessivamente reconhecido pelas instâncias de escrutínio da empresa”.

Além de administrador, o agora secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media foi, entre 2015 e 2018, assessor criativo da direção de programas da RTP.

No âmbito do universo da Produções Fictícias, Nuno Artur Silva foi também diretor-geral do Canal Q, detido pela produtora. Após a fundação da PF, Nuno Artur Silva foi  co-autor de projetos de media e programas icónicos como “Herman Zap”, “Herman Enciclopédia”, “Contra Informação”, “Programa da Maria”, “Paraíso Filmes”, “Os Contemporâneos” e “Estado de Graça”.

Nuno Artur Silva passou também pela SIC, enquanto apresentador do programa de comentário político “Eixo do Mal”.

Este ano, Nuno Artur Silva também comissariou este ano a programação da Feira do Livro do Porto e o programa “O Fascínio das Histórias”, que no próximo sábado ocupará vários espaços da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, com debates, leituras e cinema.

A sua veia de argumentista deveria ser novamente revelada em novembro , em Lisboa, no espetáculo “Onde é que eu ia?”, adiado agora devido à nomeação para secretário de Estado. “Onde é que eu ia?” tinha sessões marcadas para os dias 8 e 9 de novembro no Teatro Capitólio.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aceitou a lista de secretários de Estado proposta pelo primeiro-ministro indigitado, António Costa.

Ler mais
Relacionadas

Nuno Artur Silva assegura que “não há interferência” política na RTP desde a criação do CGI

O ex-administrador da RTP Nuno Artur Silva disse hoje que desde que foi criado o Conselho Geral Independente (CGI), na RTP, “não há interferência do poder político” na estação pública.
Recomendadas

Deutsche Bank multado em mais de 130 milhões de euros após Epstein usar contas do banco para silenciar vítimas

De acordo com o “The New York Times”, o Deutsche Bank não fez “muitas perguntas” a Epstein para o ter como cliente. Nem mesmo quando foi observada a retirada de 100 mil dólares (88,6 mil euros) das contas do falecido multimilionário para “gorjetas e despesas domésticas”.

Lufthansa vai cortar mil empregos administrativos e reduzir novas aeronaves a metade

Como parte do plano de reestruturação, a companhia aérea anunciou que os cortes nos postos de trabalho vão incluir também os cargos administrativos e de gestão.

Crise no mercado de retalho deve ser pior do que crise de 2009

Quando a recuperação económica chegar, a publicação estima que esta seja lenta, uma vez que a maioria dos mercados afetados pela crise de 2008/2009 demorou perto de um ano até que as vendas retomassem a níveis pré-crise.
Comentários