O “banho de ética” de Rui Rio nos Açores

Não está em causa a coligação de direita nos Açores, até porque o PSD foi o segundo partido mais votado e é a aliança das forças mais votadas que determina quem está em melhor posição de viabilizar um governo. É a dinâmica democrática e a maioria representativa a funcionar. O que está mesmo em causa é o pacto “melistofélico” com um partido como o Chega, de quem Rui Rio queria moderação. Mas que moderação é que pode advir da extrema-direita?! O prometido “banho de ética” de Rui Rio, foi afinal um logro prontamente substituído por uma imersão lodaçal no fascismo. Vendeu a social-democracia ( e talvez o próprio partido) em troca de poderio.

Os resultados das últimas eleições nos Açores não sendo surpreendentes, sobretudo na bipolarização direita/esquerda, não deixaram de alertar o país para uma realidade até há pouco desvalorizada: a ascensão da extrema-direita no nosso país agora também ancorada e apoiada pela demais ala da direita.

Quem não se lembra de Rui Rio ter prometido um “banho de ética” à política portuguesa? Ao que aparenta, afinal, culminou em fundamentos morais alinhados ao ideário do Chega quando não hesitou em vender a “ética” à eminência do poder. Fica assim na história, como responsável e facilitador da promoção de um partido xenófobo, racista, sexista e misógino, ao poder, no nosso país; como um parceiro da idealização da defesa da castração, da ovariectomia em mulheres, da pena de morte e da prisão perpétua. Como é que um partido que se diz democrático se associa a um partido (inconstitucional, conforme declara o artigo 46º da Constituição) como o Chega? Como é que um defensor da democracia faz acordos com partidos anti-sistema, que defendem a profanação dos Direitos Humanos e que afrontam a Constituição?! E dá cobertura a uma “solução” de viabilização governativa que não reconhece a democracia e que quer aniquilar o Estado social? A não ser que não seja ele mesmo democrático e queira aniquilar a própria democracia. A não ser que seja ele mesmo defensor da promoção da violência e de “organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”.

E salientou ainda que tal acordo “em nada feria a sua matriz social-democrata” e neste ponto tenho de concordar com Rui Rio – é que tanto o actual líder como o PSD, de social-democracia já terão senão resquícios. Se um dia a social-democracia nasceu do socialismo, hoje nem transmutação deste o é, ao defender um sistema económico capitalista; ao substituir o combate à pobreza na sua base (batendo-se pelo trabalho condigno, bem pago e com direitos para todos) pela “caridadezinha de D. Abastança”; e ao recorrer a teorias “keynesianas” para mitigar os contratempos do capitalismo, priorizando a economia em detrimento do bem-estar social. Portanto, aliar-se a uma organização que quer acabar com o sistema nacional de saúde, com a educação gratuita para todos e com apoios sociais aos socialmente mais vulneráveis (o Chega defende a redução para metade do RSI na Região Autónoma dos Açores) é, afinal, coerente com a nova matriz “social-democrata” de Rui Rio e do actual PSD – que se opõe à presença do Estado na economia; que bem prega contra a corrupção e clientelismo mas que se alia a um indivíduo que condenou a detenção de um corrupto como o Steve Banon; que não rejeita as desigualdades sociais atribuindo-as à meritocracia, em vez de a políticas elitistas que privilegiam uns poucos em detrimento de outros muitos; e que rentabiliza, demagógica e oportunisticamente o descontentamento de muitos com a actual conjuntura política e com alguns dos seus agentes, qual populista, para quem a política é só um trampolim para o poder.

Não está em causa a coligação de direita nos Açores, até porque o PSD foi o segundo partido mais votado e é a aliança das forças mais votadas que determina quem está em melhor posição de viabilizar um governo. É a dinâmica democrática e a maioria representativa a funcionar. O que está mesmo em causa é o pacto “melistofélico” com um partido como o Chega, de quem Rui Rio queria moderação. Mas que moderação é que pode advir da extrema-direita?! O prometido “banho de ética” de Rui Rio, foi afinal um logro prontamente substituído por uma imersão lodaçal no fascismo. Vendeu a social-democracia ( e talvez o próprio partido) em troca de poderio.

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