[weglot_switcher]

O discurso que abalou Davos: “a velha ordem mundial não vai regressar”

“As potências médias têm de agir em conjunto porque, se não estiverem à mesa, vão ser a refeição”, defendeu o primeiro-ministro canadiano no Fórum Económico Mundial.
epa12664782 Canada Prime Minister Mark Carney speaks during a plenary session in the Congress Hall at the 56th annual meeting of the World Economic Forum (WEF) in Davos, Switzerland, 20 January 2026. The 2026 summit, running from 19 to 23 January and held under the theme ‘A Spirit of Dialogue,’ brings together global political leaders, corporate executives, and scientists to address international challenges. EPA/GIAN EHRENZELLER
21 Janeiro 2026, 20h02

“A velha ordem mundial não vai regressar, mas não devemos lamentá-lo. A nostalgia não é uma estratégia. Desta fratura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo”. Num mundo de extrema instabilidade e num estado de elevada tensão geopolítica, o discurso do primeiro-ministro canadiano em Davos chamou a atenção do mundo.

Foi um forte apelo mundial lançado por Mark Carney no Fórum Económico Mundial. Os países médios devem unir esforços para sobreviverem perante as crises sucessivas lançadas pelos líderes das maiores potências mundiais.

“As potências médias têm de agir em conjunto porque, se não estiverem à mesa, vão ser a refeição”, disse o líder canadiano, apelando a maior cooperação entre os países médios, nos quais inclui o Canadá.

Os “grandes poderes” e a “hegemonia americana” estão a usar a integração económica como “armas”, afirmou, sem nunca proferir o nome de Donald Trump.

“Os canadianos já sabem que já não é válida a nossa crença confortável de que a nossa geografia e alianças conferem automaticamente prosperidade e segurança”, disparou.

Mark Carney acabou por deixar Davos sem se reunir com Donald Trump. Esta quarta-feira, o presidente americano aproveitou para voltar a criticar o país vizinho. “Ele é mal-agradecido, deviam estar gratos aos EUA. O Canadá existe por causa dos Estados Unidos”.

O primeiro-ministro defendeu que o Canadá deve assim manter os seus princípios, mas também ser pragmático, defendeu: diversificando relações comerciais para ficar menos dependente dos EUA. “Integração” pode levar a “subordinação”.

O multilateralismo que geriu os problemas do mundo desde o final da segunda guerra mundial – com base em organizações como as Nações Unidas ou Organização Mundial de Comércio – viram a sua capacidade de influência “diminuída” e os países devem aceitar que estão agora mais sozinhos.

“Muitos países chegaram às mesmas conclusões. Devem desenvolver maior autonomia estratégica: na energia, alimentação, minerais críticos, nas finanças e cadeias de abastecimento. Um país que não se pode alimentar a si próprio, defender-se ou com autonomia energética tem poucas opções. Quando as regras já não nos protegem, devemos proteger-nos”, defendeu.

“Isto não é multilateralismo ingénuo. Nem depende de instituições enfraquecidas. Trata‑se de construir coligações que funcionam, problema a problema, com parceiros que partilham bases comuns suficiente para agir em conjunto”, afirmou num discurso citado pela “CBC”.

“O poder da legitimidade, integridade e das regras vai permanecer forte se escolhermos usá-los em conjunto”, num momento de pressão económica das grandes potências, afirmou, mas sem citar as pressões vindas do sul da fronteira: dos EUA.

“Estamos a engajar estrategicamente, com os olhos abertos. Estamos ativamente a ver o mundo como ele é, não como queremos que ele fosse”, acrescentou.

RELACIONADO

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.