O que dizem os partidos sobre a nomeação de Elisa Ferreira?

Generalidade dos partidos aplaudem a proposta de António Costa e destacam a experiência e competência da vice-governadora do Banco de Portugal. O partido comunista foi o único que se mostrou insatisfeito pela nomeação da nova comissária europeia portuguesa, e chegou mesmo a criticar a economista.

Cristina Bernardo

O primeiro-ministro, António Costa, escolheu a vice-governadora do Banco de Portugal Elisa Ferreira para comissária europeia e já o comunicou à nova presidente da comissão, Ursula van de Leyen. A ex-ministra será a primeira mulher portuguesa a ocupar o cargo.

A escolha foi elogiada por diversos representantes da política nacional, como Carlos Moedas, atual comissário com a pasta da Investigação, Ciência e Inovação que afirmou ter ficado particularmente agradado por o primeiro-ministro ter escolhido a vice-governadora do Banco Portugal para o cargo. Moedas considerou Ferreira como “uma mulher de criar pontes e conseguir consensos”.

“Portanto, é uma escolha que a mim me deixa muito descansado e, por outro lado, também muito contente por passar o testemunho a alguém como a Elisa Ferreira. Acho que é uma boa escolha, e portanto fico muito contente com esta passagem de testemunho”, resumiu.

Porém entre partidos a opinião não é consensual. O PSD, BE e PAN apoiam a decisão de António Costa, mas o PCP excluí-se da regra geral.

PSD: “Tem conhecimento suficiente”

Rui Rio congratulou a nomeação da ex-ministra, referindo que lhe será atribuída uma “pasta importante para Portugal”. Para o líder dos sociais-democratas, Elisa Ferreira tem “conhecimento suficiente” para “desempenhar bem” a função.

“Esperamos que lhe seja atribuída uma pasta importante para Portugal e que tenha arte, saber e sorte no desempenho da função”, afirmou Rui Rio, em declarações aos jornalistas na sede do Porto do PSD, onde apresentou propostas para reformar o sistema político.

O presidente do PSD afirmou que “a escolha de Elisa Ferreira é uma boa escolha como podiam ser boas escolhas muitas outras personalidades portuguesas”, notando que a ex-ministra “tem conhecimento suficiente para desempenhar bem o lugar”.

Também o eurodeputado Paulo Rangel, do Partido Social Democrata (PSD), considera que Elisa Ferreira é uma escolha acertada para a posição de comissária europeia. Em declarações à TSF, Rangel realçou a “experiência” e “competência”da vice-governadora do Banco de Portugal: “Elisa Ferreira é uma pessoa com uma grande experiência executiva e europeia, competente, reconhecida e com uma rede de conhecimentos na Europa bastante positiva.”

“Penso que é uma boa escolha”, declarou o eurodeputado social-democrata, que saudou ainda o facto de Elisa Ferreira ser “a primeira mulher” portuguesa no cargo.

BE: “Conhece bem os dossiers europeus”

Numa entrevista à TSF, Marisa Matias espera que Elisa Ferreira seja uma voz forte na Europa. A eurodeputada, que é próxima da vice-governadora do Banco de Portugal, relembrou os tempos em que esteve ao lado da economista na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários, enquanto coordenadoras.

“Elisa Ferreira conhece bem os dossiers europeus, conhece bem a política económica europeia, e – com a exceção do pacote da Governação Económica, em que tivemos bastantes divergências – houve muita convergência na crítica à austeridade e à política económica e monetária europeia”, disse.

“Espero mesmo que possa ser uma voz forte contra a política de destruição dos serviços públicos”, disse Marisa Matias.

PAN: “Trabalharemos juntos para fazer vingar os objetivos”

Antes de felicitar a ex-ministra, o eurodeputado do PAN relembrou os tempos quando Elisa Ferreira foi Ministra do Ambiente.

“Não esqueçamos que foi ministra do Ambiente, assumimos que tenha alguma sensibilidade para questões ambientais e, nesse sentido, trabalharemos juntos para fazer vingar os nossos objetivos”, referiu Francisco Guerreiro, numa entrevista TSF. O eurodeputado vê com “bons olhos” a nomeação de Elisa Ferreira.

PCP: Não esconde insatisfação

O partido comunista não esconde a insatisfação pela nomeação da ex-ministra. O eurodeputado João Ferreira afirmou à TSF que o percurso da economista no Parlamento Europeu está marcado por uma colagem a políticas que se têm revelado prejudiciais para Portugal e lembra que, mais importante do que as pessoas, são as políticas que estas seguem.

CDS: “Possa nelas ter um bom desempenho”

Já o centrista Nuno Melo sublinha querer “acreditar que, desde que a pasta seja relacionada com as áreas de competência da Elisa Ferreira, possa nelas ter um bom desempenho”. O eurodeputado do partido popular manda votos de sucesso para o mandato.

Ler mais
Relacionadas

Carlos Moedas “muito contente por passar testemunho” a Elisa Ferreira

O atual comissário com a pasta da Investigação, Ciência e Inovação afirmou ter ficado particularmente agradado por o primeiro-ministro, António Costa, ter escolhido Elisa Ferreira, que “foi sempre uma mulher de criar pontes e conseguir consensos”.

Elisa Ferreira, a “reserva da nação” feminina do PS. Quem é a escolha de António Costa para a Comissão Europeia?

A proposta do primeiro-ministro foi também vista como uma forma de a retirar do leque de candidatos à sucessão de Carlos Costa, porque Elisa Ferreira era apontada no mercado como potencial Governadora do Banco de Portugal no próximo verão de 2020.

Primeiro-ministro escolhe Elisa Ferreira para comissária europeia

António Costa indicou o nome da eurodeputada socialista e vice-governadora do Banco de Portugal para integrar o colégio de comissários da Comissão Europeia.
Recomendadas

OE2021: Desporto descontente com falta de “apoio extra” à formação

O movimento desportivo português mostrou-se manifestamente derrotado no Orçamento do Estado para 2021. O setor pretendia conseguir mais financiamento para as atividades de formação.

Assembleia da República vota provável prolongamento do Estado de Emergência a 4 de dezembro

Na próxima semana, o parlamento realizará três sessões plenárias – um na quinta-feira, dia 3 de dezembro, e dois na sexta-feira, dia 04, um de manhã e outro à tarde – e na semana seguinte dois plenários, marcando para dia 11 um debate setorial com um membro do Governo ainda a definir.

Marisa Matias: Bruxelas entre a “chantagem dos países frugais e dos agressores do Estado de Direito”

“Cedência atrás de cedência colocou-nos aqui e a minha pergunta é: até quando? O que é que vai restar do projeto europeu? Se não tivermos uma resposta firme de solidariedade, se continuarmos a aceitar a aceitar a chantagem daqueles que não o querem solidário”, questionou Marisa Matias no mesmo dia que a Hungria e Polónia confirmaram os seus vetos ao Orçamento europeu.
Comentários