O que se passa com a economia chinesa? Exportações em mínimos de dois anos

Economia chinesa está a travar. Depois de décadas em expansão, dados apontam para que 2018 seja o ano com piores resultados desde 1990.

As exportações chinesas registaram a maior queda de dois anos, no último mês de dezembro. Apesar desta queda, os dados demonstram que a China ultrapassou os Estados Unidos da América no ano de 2018, o que pode causar uma nova disputa com o presidente Donald Trump.

A semana passada, a Apple e a Jaguar Land Rover anunciaram um despedimento coletivo dos seus trabalhadores devido às fracas receitas que se sentiu no país com mais encomendas, a China. Tim Cook, responsável pela empresa de Cupertino revelou que foram “apanhados desprevenidos pela magnitude da desaceleração da economia”, o que gerou que o tempo estimado de vida de um smartphone aumentasse. Empresas como a General Motors, a Volkswagen e o Starbucks devem anunciar nas próximas semanas as suas vendas que, segundo a CNN, também tenham sofrido um declínio.

A economia chinesa está a sofrer depois de décadas em expansão, e os dados apontam para que 2018 seja o ano com piores resultados desde 1990. A guerra com o continente norte-americano pode vir a trazer problemas para ambos os lados, pois muitas companhias contam com o mercado chinês para aumentar o seu volume de vendas. Benjamin Cavender, analista do mercado chinês, revelou que a venda de marcas de smartphones provenientes do país está a aumentar, como a Huawei ou a Xiaomi, por serem consideravelmente mais baratas que a da gigante americana.

Alguns analistas que realizaram os estudos, especulam que Pequim vai ter de intensificar e estimular medidas para aumentar a atividade industrial, de forma a contrair o ano passado. Estima-se que as exportações tenham caído 4,4% no ano de 2018, e as importações para o país sofreram a maior quebra desde julho de 2016, caíndo cerca de 7,6%, contrariando a perspetiva que os analistas esperavam.

Apesar de as trocas com os Estados Unidos renderem cerca de 323 mil milhões de dólares (equivalente a pouco mais de 280 mil milhões de euros), os americanos querem que estas trocas sejam reduzidas, e chega a impor tarifas nos produtos que chegam do país asiático. Devido a esta medida, a China acabou por retaliar e impor tarifas próprias. A verdade, é que as importações vindas dos Estados Unidos caíram cerca de 35,8%, enquanto as exportações para a América obtiveram uma quebra de 3,5%.

Raymond Yeung, chefe economista do banco australiano ANZ, declarou que “os eletrónicos continuam a ser a chave para as exportações chinesas”. Fontes próximas do governo de Pequim, disseram à Reuters que estão a planear descer o seu crescimento económico após os resultados que esperavam para 2018 não terem correspondido.

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