O ressurgimento da União politica e um partido português que é anti-Europeu, antes de ser outra coisa

Percebe-se que a extrema direita europeia, seja na Hungria, Itália, Áustria, ou Polónia, alimenta-se através de uma narrativa comum ligada à xenofobia e ao populismo eurocético. Não necessariamente para abandonar o barco da União Europeia, mas para ganhar terreno dentro dele.

Foi há catorze anos que a Hungria aderiu à União Europeia e foi há poucos dias que o país viu o seu posicionamento nesta organização posto em causa. Uma votação no Parlamento Europeu cujo resultado carrega algum simbolismo e que poderá ajudar a definir determinados passos no seio da União num futuro próximo. Para já, assistimos a um sinal conjunto de uma maioria que admitiu, entre outros simbolismos, deixar de vir a sustentar publicamente um dos seus estados membros. E fê-lo sem que estivesse em causa qualquer fator económico, o que por si só não deixa de ser uma novidade! Nada disto deveria surpreender se considerarmos muitos dos atropelos aos valores da União Europeia do governo de Órban nos últimos anos, mas, a realidade é que surpreende. Tanto a iniciativa, como o timing e a força que poderão advir dos resultados.

Na surpresa causada, residem os resquícios daqueles que serão porventura dois dos maiores erros da União Europeia nos últimos anos: a ausência de grandes critérios políticos, cujo efeito recaiu num alargamento descuidado e pouco aconselhável aos pergaminhos do projeto europeu, maior desigualdade, e a falta de afirmação politica numa altura que importava tê-la, sem que se tivesse entendido que a própria economia da zona euro se ressentiria disso.

Regressados à realidade de hoje e na qual também se confrontam esses erros passados, percebe-se que a extrema direita europeia, seja na Hungria, Itália, Áustria, ou Polónia, alimenta-se através de uma narrativa comum ligada à xenofobia e ao populismo eurocético. Não necessariamente para abandonar o barco da União Europeia, mas para ganhar terreno dentro dele. Com as eleições europeias em maio, a possibilidade de um populismo extremo (encabeçado por um qualquer Órban) que se venha a colocar como segundo grupo do parlamento europeu, existe, e não vai desaparecer tão cedo. O simbolismo da última quarta-feira advém disso mesmo e os resultados da votação não deixam de ser um bom, mas ténue sinal, de que essa margem poderá não ser alcançada. Pelo menos, alcançada de dentro para fora.

Isto é, se ignorarmos que no futuro possa haver mais partidos como um partido comunista português, que em linha com anos e anos de anti – europeísmo, suspende a sua ideologia, e com isso responde ao pensamento de um outro austríaco – Fascism is the stage reached after communism has proved an illusion.  (Freidrich Von Hayek)

É para isso que nos remete a mirabolante explicação destes eurodeputados portugueses, que no lugar das sanções ao governo da Hungria ou ao voto neutro, decidiram aliar-se às forças mais reacionárias e fascizantes da Europa.

Numa altura em que o continente poderá acabar por se dividir em dois, não deixa de ser curiosa esta cambalhota, que sem disfarces, define o lado para o qual recairá. Mais um motivo para a Europa liberal e democrática ganhar força.

Recomendadas

Operação maioria absoluta

Este Orçamento é claramente o mais malabarista, em termos de ilusão do eleitor e de satisfação da demagogia dos três sócios da geringonça.

“Lisboa” e “o resto”

A descentralização que se prepara, e as “descentralizações” de que por aí se falam, não descentralizarão nada, nem o pretendem fazer.

Acelerar a valorização do conhecimento

Mais do que uma obrigação, é um dever celebrar e reconhecer o que de melhor se faz no nosso país. É este também o papel das políticas públicas.
Comentários