OE2022: BE acusa Governo de “intransigência”

À margem da reunião com a Fenprof, Catarina Martins deixou ainda um recado a António Costa: “Um Orçamento do Estado que não responde ao país, perde todo o país”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, sublinhou a “intransigência” do executivo de António Costa quanto ao Orçamento do Estado para 2022, cuja versão preliminar já foi entregue.

“Um Orçamento do Estado que não responde ao país, perde todo o país. Nós sabemos disso no Bloco de Esquerda e trabalhamos para um Orçamento do Estado que responda às necessidades do país”, disse Catarina Martins à margem de reunião com o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

Em matérias de educação Catarina Martins considera que no Orçamento há “uma enorme lacuna”. “Não existe nada sobre Educação. Nós temos em Portugal um problema grave e não compreendemos como é que é possível o Orçamento do Estado nada diga sobre isto”, afirmou a bloquista.

No OE2022, o Governo sugere que sejam investidos mais 250 milhões de euros, em 2022, no programa de digitalização das escolas, iniciado em 2020, e que já este ano teve uma dotação financeira de 280 milhões de euros. Já a universalização e acompanhamento do pré-escolar, uma medida que partidos à esquerda e PAN defendiam, não decorrerá em 2022, conforme aponta o documento entregue pelo ministro das Finanças, João Leão a 11 de outubro.

Segundo a líder do BE, “não é uma boa forma de resolvermos as questões que temos tão importantes daqui até à votação do Orçamento, ouvir o ministro das Finanças, como ouvi ontem, dizer que acha que é impossível mexer no corte do fator de sustentabilidade”.

Quanto aos cortes nas pensões, Catarina Martins considera ser “penalizador para algumas pessoas que trabalharam toda a sua vida, mas que na verdade têm uma existência tão breve na Segurança Social, não possa acabar”. A coordenadora do BE quer  “pensões mais justas”.

Relativamente às pensões, a versão preliminar do OE2022 prevê um aumento extraordinário que se traduz numa subida até 10 euros para as pensões mais baixas. Vão estar abrangidos nesta subida cerca de dois milhões de pessoas com reformas abaixo dos 658 euros.

 

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