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OE2026: Programa de Infraestruturas e Habitação absorve a maior dotação orçamental

O financiamento nacional do programa ascende a 4.961,9 mil milhões de euros, dos quais 1.028 milhões provenientes das receitas de impostos. Já o financiamento europeu será de 879,2 milhões de euros, dos quais 769,8 milhões de euros provenientes do PRR.
Prédios para habitação própria, arendar, vender ou alugar no distrito de Lisboa, 31 de agosto de 2023. MIGUEL A. LOPES/LUSA
9 Outubro 2025, 15h02

O Programa Infraestruturas e Habitação, com um total de 116 projetos, é o programa orçamental que apresenta maior expressão orçamental na proposta de OE2026, com uma verba de 5.841,1 mil milhões de euros, o que equivale a 33,8% do total.

O financiamento nacional do programa ascende a 4.961,9 mil milhões de euros, dos quais 1.028 milhões provenientes das receitas de impostos. Já o financiamento europeu será de 879,2 milhões de euros, dos quais 769,8 milhões de euros provenientes do PRR.

Neste programa, destacam-se os projetos relativos às concessões, construção, requalificação e conservação da ferrovia e conservação da rede rodoviária, a cargo da Infraestruturas de Portugal, S.A. (IP), e o Programa de Apoio ao Acesso à Habitação — 1º Direito e Habituação a custos acessíveis, por parte do IHRU, I.P.

No capítulo dos investimentos estruturantes da Administração Central, os gastos do IHRU em Habitação ascendem, no próximo ano, a praticamente 1.200 milhões de euros. A maior fatia, de cerca de 800 milhões de euros, é destinada aos programas de apoio no acesso à habitação.

O parque público de habitação a custos acessíveis recebe 360 milhões de euros, a bolsa de alojamento urgente um total de 28 milhões de euros e a reabilitação do parque habitacional 10 milhões de euros.

A existência de uma “grave crise habitacional” é assumida na proposta de OE2026, e a solução apontada passa por “travar a escalada de preços, que passa sobretudo por um aumento decisivo da oferta habitacional.”

Para corrigir “o défice habitacional, aliviar a sobrecarga dos custos da habitação e garantir o acesso a alojamento digno a um maior número de famílias”, o Governo anuncia o aumento da oferta de habitação pública, estando previstos, no OE2026, o investimento de 930 milhões de euros em programas públicos de promoção e reabilitação, destinados a abranger 22 mil pessoas. Complementarmente, será mobilizado património público (imóveis e terrenos) para projetos habitacionais.

A prioridade do executivo vai para a execução de 59 mil casas públicas, realização de parcerias público-privadas em imóveis do Estado devolutos com aptidão habitacional, através da injeção no mercado de pacotes de imóveis destinados a investidores, designadamente por “concessão” dos mesmos, a começar pelos “imóveis libertados pela concentração de ministérios e entidades no Campus XXI.”

Outra das medidas, anteriormente anunciadas, prende-se com a transferência do Estado para os municípios de edifícios para recuperação e reabilitação e posterior atribuição em arrendamento habitacional público, através de uma linha de crédito de 1340 M€ destinada a criar 12 000 habitações a preço acessível até 2030.

No licenciamento urbanístico, o Governo compromete-se com a simplificação, redução da burocracia e maior celeridade dos processos.

Para o mercado de arrendamento, o governo promete “rever o regime de arrendamento urbano”, garantindo aos proprietários a resolução dos contratos em caso de incumprimento, alterar os programas de arrendamento, designadamente do arrendamento acessível, através do modelo de contratos de investimento build-to-rent para atrair o investimento privado, racionalizar todos os programas públicos de apoio à renda.

O executivo reconhece, na proposta orçamental, que a escassez do parque habitacional é “um dos maiores flagelos do País”, e afeta particularmente os mais jovens. Para facilitar o acesso à primeira habitação, mantém-se o IMT Jovem, que reduz os encargos associados à compra de casa, a garantia pública para a Habitação Jovem, que facilita o acesso ao crédito, e reforça-se o Programa Porta 65 e o apoio ao alojamento estudantil para reduzir as barreiras de acesso ao ensino superior.


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