OPEP admite que a produção de petróleo dos EUA aumentará 1,5 milhões de barris diários em 2020

O relatório de novembro da OPEP reviu em alta a produção petrolífera para 2020 dos países não-OPEP, com um crescimento de 2,17 milhões de barris de petróleo diários, impulsionados sobretudo pelo aumento previsível da produção dos EUA, agora estimado em mais 1,5 milhões de barris de petróleo diários durante o próximo ano.

David M. Parrott/Reuters

O mundo não assistirá a uma alta do preço do petróleo em 2020. Sobretudo porque o aumento de produção estimado para os EUA conseguirá conter as subidas das cotações do petróleo a nível internacional. Esta é a ilação que se pode retirar da informação constante no boletim de novembro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Na realidade, a OPEP já não tem a força que teve a nível mundial, quando conseguia promover subidas nos preços do “ouro negro” nas décadas de 70 e 80 porque a produção petrolífera dos países não-OPEP é que é determinante na formação internacional das cotações. Por outro lado, este cartel, sediado em Viena de Áustria, atualmente liderado pelo secretário geral Mohammad Sanusi Barkindo, também não consegue desfazer o efeito mediático dos tweets do presidente dos EUA, Donald Trump, que continuam a desaconselhar o corte na produção de petróleo, de forma a evitar a subida das cotações internacionais do petróleo.

O relatório mensal de novembro da OPEP refere que os EUA, o Brasil, a China, o Reino Unido, a Austrália e o Canadá foram os principais países responsáveis pelo crescimento da produção petrolífera em 2019, enquanto o México e a Noruega foram responsáveis pelos maiores declíneos de produção. Relativamente aos países Não-OPEP, o relatório de novembro reviu em alta a produção para 2020, com um crescimento estimado na ordem dos 2,17 milhões de barris de petróleo diários, devidos sobretudo ao aumento previsível da produção dos EUA, agora estimado em mais 1,5 milhões de barris de petróleo diários durante o próximo ano.

O relatório mensal de novembro da OPEP mantém a previsão de crescimento da procura mundial de petróleo de 0,98 milhões de barris de petróleo por dia em 2019. Para 2020, a previsão é de um aumento de 1,08 milhões de barris de petróleo por dia. Esta previsão da procura mundial já tinha sido apresentada no relatório de outubro. Ou seja, a procura mundial de petróleo para 2019 tem mantido o nível de crescimento anteriormente previsto, apesar de ligeiras modificações em alta no Médio Oriente, nos terceiro e quarto trimestres de 2019 e de ligeiras revisões em baixa nas regiões da OCDE das Américas, nos segundo e terceiro trimestres de 2019.

Cotações em baixa nos petróleos da OPEP

De resto, como é que estiveram em outubro os preços do petróleo controlado pela OPEP? Quem analisar o Cabaz Petrolífero de Referência da OPEP  – o designado ORB – OPEC Reference Basket of Crudes (ORB) que integra a produção de 14 crudes, da Argélia, Angola, Arábia Saudita, Congo, Ecuador, Emirados Árabes Unidos, Guiné Equatorial, Gabão, Irão, Iraque, Koweit, Líbia, Nigéria e Venezuela – nota que registou um declíneo mensal de 3,9% em outubro, correspondente a uma queda de 2,45 dólares (na base m-o-m), fixando-se no valor de negociação de 59,91 dólares por barril. Refira-se que atualmente, a 14 de novembro, a cotação do cabaz ORB atingiu os 62,48 dólares por barril, ligeiramente inferior à cotação registada no dia anterior, que foi de 62,82 dólares por barril, segundo informações do secretáriado da OPEP.

Nos restantes países produtores, os preços também foram contidos. Segundo o relatório mensal de novembro da OPEP, em outubro a média de negociação do ICE Brent no mercado britânico foi cerca de 4,3% mais baixa, correspondendo a 59,63 dólares por barril. O norte-americano WTI também caiu no NYMEX, em outubro, (m-o-m) para um preço médio de 54,01 dólares por barril, ou seja, menos 5,2%. No prazo de um ano (year-to-date, ou y-t-d), em outubro o ICE Brent foi negociado a um preço 12,7% mais baixo, e o WTI caiu 15,6% no NYMEX. Talvez por isso, a OPEP refira no seu relatório de novembro de 2019 que “os gestores de hedge funds e de outros tipos de fundos monetários estão agora muito mais preocupados com o outlook dos preços dos petróleos de referência internacionais do que estiveram nos meses anteriores”.

Economia mundial crescerá 3%

A curto prazo também não se perspetivam fortes desacelerações da economia mundial a nível global. Pelo contrário. A  OPEP mantém a previsão do crescimento económico mundial nos 3% para 2019 e 2020. Porém, para a União Europeia, o futuro não será tão risonho no curto prazo. A previsão para a zona Euro é mantida pala OPEP nos 1,2% para 2019, e é revista em baixa para 1% em 2020. O pior será sentido no Japão. O crescimento previsto para o Japão é mantido nos 0,9% em 2019, descendo para os 0,3% em 2020. A Rússia de Putin também não terá motivos para estar muito confiante porque deve crescer apenas 1% em 2019 e 1,2% em 2020. Quanto à previsão de crescimento dos gigantes asiáticos, será para a China e para a India, em 2019, de respetivamente, 6.2% e 6.1% e de 5.9% e 6.7% para 2020.

Assim, a Ásia e a China serão fortes impulsionadores do crescimento da procura mundial de petróleo, responsáveis por um aumento conjunto de 0,68 milhões de barris de petróleo por dia. A OCDE deverá aumentar a procura em 0,07 milhões de barris diários. Os países Não-OCDE dão grande contributo ao aumento da procura mundial de petróleo, com 1,01 milhões de barris diários.

Quanto aos maiores impulsionadores do crescimento da produção de petróleo em 2020, diz a OPEP que serão os EUA, o Brasil, a Noruega, a Rússia, o Canadá, o Cazaquistão e a Austrália. Em sentido contrário, os maiores declínios da produção petrolífera serão sentidos no México, na Indonésia, no Egito, no Reino Unido e na Colombia, refere o relatório de novembro da OPEP.

Sobre a produção de gás natural (GNL), que tinha sido revista em baixa em 2019, na ordem dos 11 mil barris de petróleo diários, agora, no relatório de novembro, é revista em sentido contrário, com uma alta de produção da ordem dos 0,04 milhões de barris de petróleo diários. Para 2020, é previsto um crescimento do GNL da OPEP da ordem dos 0,03 milhões de barris de petróleo por dia (y-o-y). Segundo “fontes secundárias”, citadas no relatório de novembro, em outubro a produção petrolífera da OPEP aumentou 943 mil barris de petróleo por dia, atingindo uma média de 29,65 milhões de barris diários.

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