OPEP vai proceder a novos cortes na produção de petróleo

Os produtores de petróleo liderados pela Arábia Saudita e pela Rússia concordaram em reduzir a produção em 500 mil barris por dia nos últimos três meses do acordo para conter a oferta. A Rússia queria menos cortes, os sauditas ainda mais.

David M. Parrott/Reuters

Os produtores de petróleo liderados pela Arábia Saudita e pela Rússia concordaram em reduzir a produção em 500 mil barris por dia nos últimos três meses do acordo para conter a oferta, mas podem parar as descidas para além de março próximo.

Uma reunião de ministros da Energia da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e os produtores não OPEP liderados pela Rússia recomendou o corte mais profundo da produção, disse o ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak.

“Realmente vemos alguns riscos de excesso de oferta no primeiro trimestre devido à menor procura sazonal de produtos refinados e de petróleo”, disse Novak. Detalhes do acordo e como os cortes serão distribuídos entre os produtores ainda precisam de ser ratificados em novas reuniões em Viena

A reunião da OPEP estendeu-se por mais de cinco horas, levando ao cancelamento de uma conferência de imprensa e de um jantar de gala para os delegados a bordo de um barco no Danúbio.

Alguns ministros ali presentes, preocupados com o facto de a economia mundial em desaceleração poder prejudicar a procura, pediram um acordo que duraria até junho ou dezembro de 2020, mas o agregado não quis chegar tão longe.

Os novos cortes “devem garantir um preço do petróleo Brent entre os 60 e os 65 dólares ao longo do período sazonalmente fraco do próximo ano”, disse Gary Ross, fundador da consultora Black Gold Investors citado pela agência Reuters.

Na sua última reunião em julho passado, a OPEP e os parceiros concordaram com uma extensão dos cortes de produção ao longo de nove meses. O acordo representa um compromisso entre os líderer de facto da OPEP, Arábia Saudita e Rússia, os maiores exportadores de petróleo do mundo. Fontes ligadas à associação disseram à Reuters que Moscovo estava relutante em aprofundar os cortes, enquanto Riad queria que estes fossem ainda mais profundos.

A Arábia Saudita precisa de preços mais altos do petróleo para financiar o orçamento e a oferta pública inicial (IPO) da empresa estatal de petróleo Saudi Aramco. Rússia e Arábia Saudita levaram a OPEP  a reduzir voluntariamente a oferta desde 2017 para combater a produção crescente dos campos de xisto dos Estados Unidos, que se tornou o maior produtor mundial de petróleo. A OPEP enfrenta mais um ano de produção crescente dos Estados Unidos, juntamente com outros produtores não pertencentes à OPEP, Brasil e Noruega.

Outra complicação para a organização é que dois membros, Irão e Venezuela, estão sob sanções dos Estados Unidos, que restringiram severamente a sua capacidade de exportação. Irão, Líbia e Venezuela estão isentos de cortar a produção, enquanto os outros 11 membros da OPEP estão sujeitos aos cortes.

O grupo reunirá novamente em março para decidir a política a seguir e gerir a envolvente, quando fatores externos como as eleições presidencial de novembro nos Estados Unidos podem alterar os mercados.

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