Operação Éter: mulher de autarca de Santo Tirso detida no caso de viciação de contratos no Turismo do Norte

Manuela Couto, que é administradora da W Global Communication (antiga Mediana), foi detida juntamente com Isabel Castro, diretora operacional do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Gabriela Escobar, jurista daquela entidade, João Agostinho, um empresário de Viseu e Melchior Moreira, presidente da Entidade Regional do Turismo do Porto e do Norte.

A mulher do presidente da Câmara de Santo Tirso, Manuela Couto, é uma das cinco pessoas detidas hoje pela Polícia Judiciária no âmbito da Operação Éter que investiga a viciação de contratos no Turismo do Norte, confirmou fonte policial.

Manuela Couto, que é administradora da W Global Communication (antiga Mediana), foi detida juntamente com Isabel Castro, diretora operacional do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Gabriela Escobar, jurista daquela entidade, João Agostinho, um empresário de Viseu e Melchior Moreira, presidente da Entidade Regional do Turismo do Porto e do Norte.

Em causa estarão ajustes diretos realizados nos últimos dois a três anos, que somados ultrapassam os cinco milhões de euros.

Segundo fonte policial, os ajustes diretos eram concedidos por valores muito acima do mercado, e, por vezes, sem que o serviço fora prestado.

Os cinco detidos no âmbito da designada operação “Éter”, que começou há dois anos, serão presentes sexta-feira a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal, no Porto.

À Lusa, fonte policial, disse ainda que em causa estão crimes de corrupção, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influências, recebimento indevido de vantagem e participação económica em negócio em procedimentos de contratação pública no Norte do país.

A Polícia Judiciária (PJ) deteve hoje cinco pessoas e realizou buscas em entidades públicas e sedes de empresas no âmbito de uma investigação relativa à presumível viciação de procedimentos de contratação pública no valor de vários milhões de euros.

Em comunicado, a PJ refere que os cinco detidos no âmbito da designada operação “Éter” estão indiciados por crimes de corrupção e participação económica em negócio em procedimentos de contratação pública no Norte do país.

“A investigação, centrada na atividade de uma pessoa coletiva pública, determinou a existência de um esquema generalizado, mediante a atuação concertada de quadros dirigentes, de viciação fraudulenta de procedimentos concursais e de ajuste direto com o desiderato de favorecer primacialmente grupos de empresas, contratação de recursos humanos e utilização de meios públicos com vista à satisfação de interesses de natureza particular, assinala a PJ, através da sua Diretoria do Norte.

Na operação policial hoje tornada pública realizaram-se 11 buscas, domiciliárias e não domiciliárias, nas regiões de Porto, Gaia, Matosinhos, Lamego, Viseu e Viana do Castelo e estiveram envolvidos 50 elementos da Polícia Judiciária, incluindo inspetores, peritos informáticos e peritos financeiros e contabilísticos.

A investigação, refere a polícia, prossegue no sentido de determinar todas as condutas criminosas e o seu alcance.

Os detidos, com idades compreendidas entre os 42 e os 54 anos, sendo três dirigentes de entidade pública e dois empresários, vão ser presentes a interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.

Contactada pela Lusa, a Secretaria de Estado do Turismo remeteu eventuais comentários para mais tarde.

A Lusa tentou ouvir a Turismo Porto e Norte de Portugal, mas tal não foi possível até ao momento.

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