“Operação Triângulo”: PGR confirma detenção de titular de cargo político por corrupção. Autarca de Vila Real de Santo António está entre os quatro detidos

A PGR revela que em causa estão factos suscetíveis de integrarem a prática dos crimes de corrupção, recebimento indevido de vantagem e abuso de poder. Os arguidos detidos serão presentes no Tribunal de Instrução Criminal de Évora para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou esta terça-feira, 13 de abril, que foram detidas quatro pessoas, uma delas titular de cargo político por suspeitas dos crimes de corrupção, recebimento indevido de vantagem e abuso de poder. Ainda que não identificando os detidos, o JE sabe que um deles é Conceição Cabrita, presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António. Na mira da justiça estão suspeitas dos crimes de corrupção, recebimento indevido de vantagem e abuso de poder num negócio de imobiliário em Monte Gordo, localidade do concelho algarvio a que social-democrata preside desde 2017. Foram realizadas duas dezenas de buscas, domiciliárias, em estabelecimentos e escritórios de advogados na região do Algarve, Lisboa, Leiria e Ourém.

“No âmbito de um inquérito dirigido pelo DIAP Regional de Évora, a Polícia Judiciária, através da Diretoria do Sul, realizou esta terça-feira cerca de duas dezenas de buscas, designadamente domiciliárias, em estabelecimentos e escritórios de advogados. Estas diligências tiveram lugar na região do Algarve, Lisboa, Leiria e Ourém”, revela a PGR em comunicado.

Segundo a PGR, no decurso desta operação, denominada “Operação Triângulo”,” foram detidas quatro pessoas, uma delas titular de cargo político. Entre os detidos, todos com idades entre os 50 e aos 70 anos, estão ainda um trabalhador da Administração Pública e dois empresários”.

Em investigação, avança, estão suspeitas de atuação ilícita de titular de cargo político, que beneficiou da colaboração de funcionários, bem como outros intervenientes, na intermediação de um negócio, de compra de imóvel, propriedade do município, na praia de Monte Gordo.

Segundo a TVI avançou esta manhã, em causa está a venda de um imóvel a uma empresa por valores abaixo do preço do mercado, tendo o município sido lesado. Existem suspeitas de contrapartidas para a autarca e um funcionário da autarquia, também detido.

A operação contou com a colaboração da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, da Diretoria do Centro e Departamento de Investigação Criminal de Leiria da Polícia Judiciária, nomeadamente, “na realização de buscas a residências dos suspeitos, escritórios de advogados e instituição bancária, onde foram apreendidos vários documentos, objetos, e, matéria probatória, que irá ser analisada”.

A PGR revela que em causa estão factos suscetíveis de integrarem a prática dos crimes de corrupção, recebimento indevido de vantagem e abuso de poder.

Os arguidos detidos serão presentes no Tribunal de Instrução Criminal de Évora para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.

Ler mais
Recomendadas

António Costa regressa hoje ao Parlamento para um novo debate sobre política geral

O quarto debate sobre política geral no Parlamento acontece numa altura em que a atualidade política tem sido marcada pela situação dos imigrantes em Odemira e os sucessivos pedidos de demissão do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. As contas do Novo Banco e a pandemia são outras questões que poderão vir a ser levantadas pelos deputados ao primeiro-ministro.

Da amnésia nas CPIs à dimensão do movimento #MeToo em Portugal. Ouça o podcast “Maquiavel para Principiantes” de Rui Calafate

“Maquiavel para Principiantes”, o podcast semanal do JE da autoria do especialista em comunicação e cronista do “Jornal Económico”, Rui Calafate, pode ser ouvido em plataformas multimédia como Apple Podcasts e Spotify.

Costa diz serão retiradas as “devidas consequências políticas” se vir trabalho feito em Odemira

O primeiro-ministro considerou, esta quarta-feira, que se, no início do próximo ano, regressar a Odemira e já observar trabalho feito para “habitação condigna” de trabalhadores agrícolas, isso significará que o Governo retirou “as devidas consequências políticas” da atual situação.
Comentários