Governo britânico com cenário catastrófico de Brexit sem acordo: falta de comida e medicamentos, aumento dos preços da luz, Gibraltar bloqueado

Falta de comida e medicamentos, aumento significativo dos preços, bloqueio de travessias no Canal da Mancha e protestos são algumas das previsões de “pior cenário possível” para um Brexit sem acordo.

Existem papéis secretos que envolvem estudos regulares do governo britânico sobre os piores cenários de um Brexit sem acordo. A designada Operação Yellowhammer foi exposta pelo governo de Boris Johnson, após alguma insistência por parte do Parlamento, denuncia a BBC.

Michael Gove, ministro responsável pelo Brexit, explicou aos deputados que a revelação dos documentos demonstram alguns dos “piores cenários possíveis” para uma saída da União Europeia sem acordo. O cenário apresentado nos documentos contradizem as garantias de Boris Johnson, de que os preparativos estão a ser acelerados para evitar um Brexit “selvagem”.

Jeremy Corbyn, a favor do Brexit somente com acordo, afirmou que os documentos sustentam que o primeiro-ministro “está preparado para punir aqueles que têm menos recursos”.

O governo britânico tentou resistir à publicação dos documentos que expõem as piores previsões para o futuro do Reino Unido, mas perdeu o voto na Câmara dos Comuns antes do Parlamento ter sido suspenso.

A BBC assume que o documento estava categorizado como material “oficial e sensível”, mas que não é um documento oficial para um gabinete político. A data que consta no documento da Operação Yellowhammer, é de 10 de agosto, o que significa que o documento foi redigido dez dias após Boris Johnson tomar o lugar de primeiro-ministro, a 24 de julho.

O jornal britânico ‘Sunday Times’ já tinha divulgado o documento de seis páginas no mês passado, e alertou para interrupções em Dover, o maior porto britânico no Canal da Mancha, e em outras passagens no canal por um período de três meses, além de um aumento do risco de desordem pública e a carência de alimentos frescos.

O aumento do preço da alimentação é um dos problemas mais evidenciados no documento, a par da frescura dos mesmos. A frescura dos alimentos “vai diminuir” e criar “dependências críticas para a cadeia alimentar”.

O documento criado pelos governantes assume que não vai existir falta de comida “mas a disponibilidade e a escolha de produtos vai ser reduzida, além de aumentar significativamente os preços, algo que pode impactar grupos vulneráveis”.

As trocas via marítima no Canal da Mancha podem significar “disrupções significativas que podem durar até seis meses”. “Sem mitigação, isso terá um impacto no fornecimento de medicamentos e suprimentos médicos”, diz o documento. “A dependência de medicamentos e produtos médicos na travessia do canal torna-os particularmente vulneráveis ​​a atrasos prolongados”.

Ainda nos transportes da travessia marítima, o documento sublinha que “França irá impor controlo obrigatório sobre todos os bens do Reino Unido, desde o primeiro dia de um Brexit sem acordo”, sublinham no documento. Depois dos atrasos no canal inglês, os atrasos no transporte de mercadorias pode demorar dois dias e meio até serem repostos.

Em termos energéticos, “haverá um aumento notável nos preços da eletricidade para consumidores, tanto para indivíduos como para empresas, aos quais está associado um maior impacto económico e político”. Ainda assim, o relatório Yellowhammer não prevê cortes no fornecimento de eletricidade e gás.

O texto redigido nos documentos explicam o impacto do Brexit sem acordo em Gibraltar. “Devido à imposição de controlo na sua fronteira com Espanha, [Gibraltar] vai sofrer interrupções no fornecimento de mercadorias, medicamento e na transferência transfronteiriça de resíduos, que se pode prolongar por vários meses”, alerta.

Outros pontos que se podem vir a verificar no país são protestos contra e a favor, por todo o Reino Unido, algumas empresas podem abandonar o país e deixar de realizar negociações, um crescimento exponencial no mercado negro e a assistência social pode falhar.

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