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Os históricos que o Bloco de Esquerda leva a jogo (e a piada comunista no X)

Partido “quis chamar todos à luta” num momento “decisivo da história” marcado pelo crescimento da extrema-direita no país e no mundo. “O que se exige à esquerda é que saiba compreender o momento em que vive, a seriedade e a importância deste momento político”, apelou Marina Mortágua. António Filipe, do PCP, brinca com regresso dos fundadores do Bloco de Esquerda às lides eleitorais, mas zangas “só com a direita”.
24 Março 2025, 13h23

Os fundadores do Bloco de Esquerda (BE) Francisco Loução, Fernando Rosas e Luís Fazenda são a aposta do partido para as eleições legislativas de 18 maio, pelos círculos de Braga, Leiria e Aveiro, respetivamente, distritos nos quais os bloquistas elegeram pela primeira vez em 2009 e que entretanto perderam.

Há mais de dez anos que nenhum destes históricos integrava listas para o Parlamento e a mudança de estratégia, justificou a coordenadora, prende-se com o momento “complexo” e “decisivo na história” que Portugal e o mundo atravessam.

“A escolha das listas do Bloco de Esquerda e a decisão de convocar fundadores para fazerem parte das listas não tem a ver com o BE por si só. Tem a ver com a esquerda. Tem a ver com a nossa capacidade para convocar várias gerações de ativistas de esquerda, de experiência de esquerda, para enfrentar um momento histórico que é complexo, que é desafiante e não é só para o BE. É desafiante e complexo para o país. Há uma crise social em curso”, explicou Mariana Mortágua depois da reunião da Mesa Nacional na qual aprovou os primeiros candidatos às legislativas.

A líder bloquista – que encabeça novamente a lista por Lisboa, círculo pelo qual concorre Fabian Figueiredo na segunda posição –  assinalou que o BE quis juntar “novas e velhas gerações”, convocando “toda a experiência, toda a energia para fazer esta campanha eleitoral” numa altura em que “a extrema-direita vai avançando” e os “oligarcas ganham poder como nunca tiveram” com o mundo ser “governado por um eixo que vai de Trump a Putin”. Numa fase em que os principais líderes europeus defendem uma “escalada militarista” e, por cá, foram eleitos “50 deputados da extrema-direita”.

Face ao contexto traçado, acentuou Mortágua, “o que se exige à esquerda é que saiba compreender o momento em que vive, a seriedade e a importância deste momento político”.

“Este é o momento decisivo. Este é o momento em que a esquerda tem de dizer ‘venham todos a esta luta’. A esquerda tem de apresentar as suas soluções, tem de chegar a todo lado, tem de apresentar o seu programa e é isso que o Bloco de Esquerda vai fazer. E neste momento crucial quisemos chamar todos a esta luta porque queremos e vamos estar à altura do momento que vivemos”, reforçou.

Nas últimas eleições legislativas, em março do ano passado, o BE elegeu cinco deputados e foi a quinta força política mais votada com 4,36 % dos votos a nível nacional. O partido chegou a ter 19 deputados (obtendo o melhor resultado de sempre em 2015, que manteve em 2019) mas sofreu um tombo ao perder 14 mandatos nas eleições de 2022, mantendo-se a bancada com cinco parlamentares desde então.

Reagindo à decisão do Bloco de convocar os seus fundadores para o desafio eleitoral de maio, o comunista António Filipe brincou na rede social X, assinalando: “A crise da habitação é tão grave que até o BE teve de voltar para casa dos pais”. Para de seguida acrescentar: “De hoje até 18 de maio não digo mais nenhuma piada sobre o BE. Levam a mal e eu, zangas, só com a direita.”

Quem são os três ‘pesos pesados’ do Bloco?

Francisco Louçã, economista, 68 anos, e a última vez que foi  votos foi em 2011, quando foi o escolhido para liderar a lista do partido nas legislativas por Lisboa. Afastou-se da coordenação do partido no ano seguinte.

Louçã foi coordenador do BE entre 2005 e 2012 e um dos rostos mais mediáticos dos bloquistas e presença assídua em painéis de comentário e análise política da SIC Notícias. Eleito deputado cinco vezes (1999, 2002, 2005, 2009 e 2011, sempre por Lisboa), foi também candidato às eleições presidenciais de 2006, ficando em quinto lugar.

Fernando Rosas tem 78 anos, é historiador, um dos históricos fundadores do Bloco de Esquerda e professor emérito da Universidade Nova de Lisboa. Em 1972, durante o período da ditadura de Salazar, foi um dos presos políticos a estar cerca de um ano na Fortaleza de Peniche.

Já não integrava uma lista do partido desde 2009, altura em que foi cabeça de lista por Setúbal e eleito deputado à Assembleia da República. No ano seguinte, saiu da bancada parlamentar para se dedicar ao ensino e investigação, e foi substituído por Jorge Costa.

Luís Fazenda tem 67 anos, é professor e dirigente do partido, integrando o Secretariado e a Mesa Nacional do BE. A última vez que integrou listas pelo partido foi em 2011, ano em que foi eleito deputado com Francisco Louçã e Ana Drago.

Estes três históricos foram rostos mais visíveis da formação do BE, que nasceu em grande parte pela união de três forças políticas, já extintas: o Partido Socialista Revolucionário (PSR), a União Democrática Popular (UDP) e a Política XXI.

 

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