PAN. “Comer é um ato político”

O porta-voz do PAN (Pessoas-Animais-Natureza), André Silva, afirmou hoje que “comer é um ato político” e, por isso, defende informação sobre as pegadas hídricas e carbónicas dos alimentos e o fim de apoios à produção de carne.

André Silva, Porta-voz e deputado do PAN à Assembleia da República | Cristina Bernardo

O deputado do PAN participou hoje no congresso internacional CouraVeg – Paredes de Coura Vegetariana, com uma palestra intitulada “Comer é um ato político”, onde falou de várias das propostas do partido para uma mudança na produção e consumo alimentar em Portugal, com vista também ao combate às alterações climáticas.

“Nós acreditamos bastante no impacto e no poder de informação. Explicando os impactos das pegadas carbónicas e hídricas da produção e consumo dos alimentos pensamos que conseguimos ter um impacto enorme nas pessoas”, afirmou André Silva.

O também cabeça de lista do PAN por Lisboa referiu que é fundamental informar os consumidores das pegadas hídricas e carbónicas dos alimentos, recordando que o partido tem um projeto de resolução aprovado nesse sentido, “mas que o Governo nunca implementou”.

Na conferência, André Silva chamou a atenção que um simples hambúrguer representa, do ponto de vista da pegada hídrica, dois meses de duches e que, em Portugal, a agricultura e pecuária representam 80% da água consumida.
“Fazem-se campanhas para o uso eficiente de água, como fechar a torneira para lavar os dentes, reduzir a água do autoclismo, mas nunca ninguém fala do elefante que está dentro da sala”, criticou.

Além disso, há também outros impactos associados à produção agrícola, seja a desflorestação para criação de gado ou para produzir cereais para a ração dos animais, sejam os quilómetros que os alimentos podem fazer até chegar à mesa.

Dando um exemplo do impacto, André Silva sugeriu “uma refeição típica de domingo”, disponível em qualquer supermercado ocidental: “batatas da Itália, cenouras da África do Sul, feijões da Tailândia, carne de vaca da Austrália, brócolos da Guatemala e, para sobremesa, morangos da Califórnia [Estados Unidos] e mirtilos da Nova Zelândia”.

Essa refeição representa 650 vezes mais emissões do que a compra de produtos locais e 81 mil quilómetros percorridos – “duas voltas inteiras ao planeta”, observou. Nesse sentido, entende que é fundamental reduzir o consumo de proteína animal, não celebrar acordos comerciais que não garantam as normas europeias de proteção ambiental, “nomeadamente o acordo da União Europeia com a Mercosul”, e o fim dos apoios do Estado e dos apoios europeus à produção de carne

O porta-voz do PAN defendeu ainda que é necessário redirecionar os apoios à produção agrícola de “práticas mais impactantes para menos impactantes”, como é o caso da agricultura biológica. “A agricultura biológica em Portugal devia desenvolver-se muito mais até para equilibrar a balança comercial e dar resposta a um mercado europeu cada vez mais ávido destes produtos”, disse.

O candidato frisou, na conferência, que “comer é um ato político”. “Deixa de ser apenas uma mera opção que tem que ver com o meu gosto e preferências elementares, mas que tem implicações enormes em terceiros, noutras pessoas e culturas, nos ecossistemas”, vincou.

Ler mais
Recomendadas
TAP Portugal

TAP. Governo diz que está a ser avaliada hipótese da companhia aérea fazer “outro tipo de rotas”

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, explica que a possibilidade ganhou força devido às alterações no mercado devido à pandemia da Covid-19 e ao aumento da frota da empresa que está “inativa”.

Diploma do Chega sobre incompatibilidade de políticos retirado do plenário pelo Governo

Presidência da Assembleia da República avisou gabinete de André Ventura que o Executivo não autorizou o arrastamento do seu projeto de lei para ser discutido em conjunto com proposta de lei sobre contratação pública. “O Governo não achou bem o projeto e passou por cima do presidente da Assembleia da República”, protestou o deputado único do Chega.

Efacec: Estado não vai assumir responsabilidade pelas dívidas de Isabel dos Santos, garante Governo

O Executivo socialista acredita que “grande parte” da dívida da empresária angolana aos bancos que financiaram a sua entrada na Efacec (Montepio, BPI e BIC) “está perdida” porque o valor da indemnização que vai resultar da avaliação que o Governo vai fazer “não será suficiente para amortizar a totalidade dessa dívida”.
Comentários